Depois dos primeiros sintomas, casos de tuberculose demoram mais de três meses a serem diagnosticadosNotícias de Saúde

Quinta, 22 de Março de 2018 | 41 Visualizações

Fonte de imagem: Voice of Europe

Responsável do Programa Nacional para a tuberculose diz que é preciso “reduzir o atraso até ao diagnóstico”. Embora ainda apresente dos mais altos valores da Europa, Portugal registou nos últimos dez anos uma diminuição de cerca de 40% da taxa de notificação e de incidência da doença.

Os casos de tuberculose demoram mais de cem dias, em média, a ser diagnosticados em Portugal desde o início dos sintomas e há doentes que chegam aos consultórios seis meses depois de terem as primeiras queixas.

Os dados foram revelados esta quinta-feira pela responsável do Programa Nacional para a Tuberculose, Raquel Duarte, que aponta como uma das missões mais relevantes nesta área encurtar o tempo até ao diagnóstico da doença.

O relatório sobre a situação da tuberculose em Portugal que hoje foi apresentado em Lisboa define precisamente como objetivo “reduzir o atraso até ao diagnóstico”.

“As pessoas não valorizam as suas queixas e os seus sintomas”, alerta Raquel Duarte. Tosse prolongada, expetoração, emagrecimento, cansaço, febrícula são alguns dos sintomas da doença, mas que acabam por ser desvalorizados e as pessoas retardam a procura de cuidados de saúde

Aliás, segundo o relatório “Tuberculose em Portugal – Desafios e Estratégias 2018”, mais de metade dos casos de tuberculose pulmonar em 2017 tinha exame direto positivo, o que traz maior risco de transmitir a doença aos seus contactos.

Embora ainda apresente dos mais altos valores da Europa, Portugal registou nos últimos dez anos uma diminuição de cerca de 40% da taxa de notificação e de incidência da doença.

Nos últimos cinco anos, a taxa tem reduzido a um ritmo de 5% ao ano e desde 2015 que a taxa de incidência está abaixo dos 20 casos por 100 mil habitantes.

Os valores provisórios de 2017 apontam para uma taxa de incidência abaixo dos 16 por 100 mil habitantes. A maior concentração de casos continua a registar-se nos distritos de Lisboa e do Porto.

A responsável do Programa Nacional para a Tuberculose mostra-se cautelosa quanto ao objetivo de atingir a eliminação da doença em 2030, que é aliás um objetivo mundial. “Estamos a correr para esse objetivo, mas com muita cautela”, afirmou Raquel Duarte à agência Lusa.

Uma vacina verdadeiramente eficaz para a tuberculose seria uma ajuda essencial, admite Raquel Duarte, até porque a atual vacina BCG não previne completamente a doença, embora evite as formas mais graves.

“Temos tido investigação e há algumas investigações promissoras. Mas não será para breve o aparecimento de uma nova vacina”, declara a especialista.

O secretário de Estado Adjunto da Saúde, Fernando Araújo, considera que Portugal “tem condições para erradicar a tuberculose” em 2030, uma expectativa apoiada na “redução sustentada de casos nos últimos anos”.

Fernando Araújo, que esteve na cerimónia de apresentação do relatório sobre a tuberculose, apontou igualmente para a necessidade de realizar diagnósticos mais precoces, entendendo que o dispositivo de saúde pública tem essa capacidade.

A tuberculose é uma doença infeciosa, que atinge geralmente o pulmão, e que pode ser transmitida de pessoa a pessoa através da tosse, por exemplo.

 

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