Demências não merecem a devida atençãoNotícias de Saúde

Quarta, 20 de Setembro de 2017 | 15 Visualizações

Fonte de imagem: Rotary International in Great Britain & Ireland

Especialistas portugueses e espanhóis partilharam algumas das principais dificuldades no combate às demências, nomeadamente no diagnóstico e apoio a doentes e cuidadores.
 
Na primeira sessão da cimeira internacional Alzheimer Global Summit, o presidente do Conselho Nacional de Saúde Mental, António Leuschner, começou por lamentar que a demência, que classificou de “um dos problemas maiores”, não mereça a atenção que deveria.
 
O especialista em psiquiatria referiu que existe hoje “uma luz ao fundo do túnel” em relação às demências, nomeadamente sobre o seu caminho “indefinidamente crescente”, o que se deve “a fatores preventivos ou retardadores do aparecimento dos sinais.
 
Para António Leuschner, as demências têm “implicações sócio sanitárias” que não devem ser ignoradas, tendo estas doenças deixado de ser há muito apenas um problema de saúde. Por esta razão, defendeu um incremento da aliança entre as pastas da saúde e da segurança social, para uma resposta mais eficaz.
 
Maria do Rosário Zincke dos Reis, que tem sido um dos principais rostos da divulgação da doença de Alzheimer em Portugal, na vertente da sociedade civil, traçou o diagnóstico das demências, começando por lamentar que estas não sejam ainda “uma prioridade nacional de saúde pública em Portugal”.
 
Entre as várias faltas que encontrou, constam a ausência de uma campanha de sensibilização nacional, um plano nacional de apoio ou mais equipamento para as pessoas afetadas.
 
Segundo Maria do Rosário Zincke dos Reis, a informação sobre como lidar com a doença é escassa, nomeadamente no interior do país e nos meios mais rurais. “Ainda não há a figura do tutor nacional, pelo que as pessoas afetadas ficam desprotegidas”.
 
A especialista defendeu uma maior aposta nos cuidados de saúde primários, com equipas multidisciplinares que prestem cuidados no domicílio.
 
“Queremos a definição do percurso de cuidados específicos para a doença”, disse. Maria do Rosário Zincke dos Reis chamou a atenção para o facto de 9% das pessoas afetadas pela doença em Portugal ter menos de 65 anos.
 
De Espanha, Pablo Martínez-Lage trouxe um diagnóstico com algumas lacunas para preencher, mas idênticas dificuldades, nomeadamente dos doentes em aceder à informação, como os tratamentos disponíveis.
 
Pablo Martínez-Lage partilhou que uma quantidade significativa de pessoas a quem foi diagnosticada uma deterioração cognitiva primária, que poderá ser sinal de doença, recusou fazer mais testes e, assim, obter a confirmação da demência.
 
O especialista divulgou outros dados que indicam que uma das queixas apontadas pelos doentes vai no sentido de não terem recebido informação sobre tratamentos na altura em que receberam o diagnóstico.

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