Deficiência molecular poderá diagnosticar a depressão severaNotícias de Saúde

Sábado, 22 de Dezembro de 2018 | 24 Visualizações

Fonte de imagem: KQED

Um novo estudo demonstrou que a depressão que é resistente ao tratamento é caracterizada por uma redução nos níveis de uma molécula específica no sangue.
 
Conduzido por uma equipa de investigadores liderada por Bruce McEwen e Carla Nasca da Universidade Rockfeller em Nova Iorque, EUA, em colaboração com Natalie Rasgon da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford, também EUA, o novo estudo poderá conduzir ao desenvolvimento de uma análise ao sangue para diagnosticar a depressão.
 
A maioria das pessoas com depressão respondem aos tratamentos de antidepressivos. No entanto, até 30% dos pacientes não evidencia qualquer sinal de melhorias ou apenas beneficiam parcialmente da medicação antidepressiva. 
 
Os resultados do novo estudo sugerem que a depressão resistente ao tratamento poderá ser devida a uma deficiência numa molécula conhecida como acetil-L-carnitina (ALC). 
 
Com efeito, uma análise efetuada pelos investigadores aos níveis de ALC em pacientes com depressão major, revelou níveis da molécula significativamente inferiores aos de pessoas sem a doença. Mais, os indivíduos com níveis extremamente baixos de ALC apresentavam formas de depressão mais severa e uma propensão para desenvolverem a doença precocemente.
 
Finalmente, foi verificado que os níveis reduzidos de ALC estavam correlacionados com um historial de traumas na infância e com depressão resistente a tratamento, uma associação particularmente forte em mulheres.
 
Num indivíduo saudável, a ALC é responsável por processos-chave no cérebro. Há estudos que demonstraram que a suplementação com ALC exerce um efeito neuroprotetor e antidepressivo, e que a molécula poderá ter propriedades de desacelerar o declínio cognitivo.
 
Outros estudos dos investigadores revelaram que a suplementação com ALC em ratinhos melhorava os sintomas depressivos. Isto é devido ao facto de o ALC regular um gene que controla os níveis de glutamato, um importante neurotransmissor que facilita a comunicação entre os neurónios. Há estudos a indicarem que mulheres com depressão apresentavam recetores de glutamato excessivamente ativos. 
 
Os investigadores consideram assim que estes achados deveriam motivar estudos sobre a ação do ALC sobre a função do glutamato e estados comportamentais. 

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Referência
Estudo publicado na revista “PNAS”

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