Declare guerra à acne!Notícias de Saúde

Sábado, 20 de Setembro de 2014 | 220 Visualizações

Há quem ainda pense que é coisa de adolescentes, mas conviver com as inestéticas borbulhas na idade adulta não é assim tão incomum. Conheça os tratamentos adequados para combater a acne e saiba como lidar com este problema que causa danos não só na pele mas também na autoestima.

É de manhã. Acabou de acordar e quando olha ao espelho depara-se, inesperadamente, com elas… as odiadas e inestéticas borbulhas. Quem já não passou por esta situação? Muitas vezes são apenas duas ou três, espalhadas por diferentes zonas, mas há casos em que aparecem em grande escala e causam lesões mais profundas na pele e na autoestima. 

Se é uma daquelas pessoas que pensa que este é um problema exclusivo dos teenagers, uma espécie de ritual de passagem, esqueça essa ideia. Apesar de ser mais frequente durante a puberdade, a acne pode aparecer em qualquer idade, afetando também os adultos, principalmente as mulheres.

Na verdade, não são raros os casos em que, depois da adolescência, alguns adultos voltam a ter borbulhas e pontos negros no rosto. Como Orlando Martins, dermatologista, nos diz, “a acne costuma aparecer entre os 13 e 19 anos, embora também possa surgir por volta dos 30 anos”. E tal como a acne juvenil, a acne tardia também necessita de cuidados específicos.

De acordo com Orlando Martins, a acne é uma doença inflamatória da pele. Resulta de um excesso de produção de gordura e células da pele mortas que irritam os folículos pilosos e causam a sua obstrução, desenvolvendo uma inflamação das glândulas sebáceas (produtoras de gorduras). Caso sejam alvo da ação de bactérias existentes na pele, esta inflamação pode evoluir e dar origem a “comedões (os conhecidos pontos brancos ou negros), pápulas (borbulhas inflamadas), pústulas (borbulhas com pus), nódulos e quistos”, explica o dermatologista.

Embora não sendo fisicamente graves, as borbulhas podem representar verdadeiras brechas na muralha do ego e da autoestima. A acne apresenta um impacto significativo na qualidade de vida da pessoa que sofre deste problema e no seu bem-estar psicológico. Biscaia Fraga, cirurgião plástico, revela que “o seu impacto é, de um modo geral, de curto prazo mas deve ser acompanhado pois existe o risco de se tornar grave, causando situações de embaraço e inadaptação nas relações sociais, e, em casos mais extremos, afastamento social ou depressão”.

No caso específico dos adolescentes e jovens, “esta é uma altura em que a aparência assume um papel muito importante e a acne pode deixar cicatrizes persistentes e ter consequências marcantes no seu desenvolvimento psicológico”, sublinha o cirurgião plástico. 

Um problema com várias origens

Embora esteja essencialmente associada às alterações hormonais - na puberdade, nos dias que antecedem o período menstrual das mulheres e na gravidez -, a acne é um problema multifatorial. 

Para além da produção excessiva de gordura e das flutuações hormonais, “existem fatores genéticos, medicamentosos e cosméticos que podem originar ou agravar a acne”, afirma Orlando Martins. É o caso da hereditariedade, do início ou paragem da toma da pílula anticoncecional, da administração de antibióticos e de alguns medicamentos com corticosteroides ou androgénios e da exposição a determinadas substâncias de certos produtos cosméticos, nomeadamente maquilhagem muito oleosa e oclusiva.
 
Já o stress, embora não provoque a acne, pode agravá-la com a sua presença. E ao contrário do que se pensa, a alimentação não está muito relacionada com a acne, não havendo comprovação científica de que algum alimento provoque acne. Contudo, seguir uma dieta equilibrada é um dos princípios fundamentais para uma pele saudável.
 
Os sintomas variam de pessoa para pessoa, sendo, na maioria das vezes de pequena e média intensidade. As lesões manifestam-se sobretudo nas zonas do corpo onde existe uma maior concentração de glândulas sebáceas, geralmente, a face, a região superior do tórax e o dorso (ombros, parte superior do peito e costas). Na maioria das vezes, a acne tardia é menos severa que a do adolescente.
 
As armas de combate disponíveis
 
Talvez já tenha usado todo o tipo de cremes e loções que alegavam curar as suas borbulhas e cicatrizes, talvez até já tenha usado métodos “agressivos” de combater acne e ainda continua a sofrer com este problema. Não desespere! Quer se trate de acne juvenil ou acne tardia, hoje em dia existem cuidados e tratamentos que permitem libertar-se das incómodas e inestéticas borbulhas.
 
Biscaia Fraga explica que “os dois objetivos principais do tratamento passam por tornar a acne o mais fugaz e superficial possível e evitar que deixe marcas”. De acordo com a sua gravidade e sintomas, a acne poderá oscilar entre ligeira, moderada ou grave. No entanto, todos os casos devem ser acompanhados e orientados por um dermatologista, que avaliará o seu tipo de acne, a sua gravidade e definirá o tratamento necessário.
 
Nos casos ligeiros, a limpeza da pele com produtos suaves e a aplicação de uma pomada antiacne podem ser suficientes, mas situações mais graves podem exigir a conjugação de limpeza e medicamentos. Nos cenários de acne ligeira e moderada, o tratamento passa pela utilização de medicamentos tópicos (aplicação na pele), geralmente sob a forma de gel ou creme, adaptados ao tipo de pele. 
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No entanto, os casos de acne moderada a grave exigem a toma de medicamentos, nomeadamente antibióticos ou contracetivos orais com ciproterona. Se o quadro de acne for realmente muito grave – como a acne conglobata (predominância de pústulas e quistos muito próximos uns dos outros) ou resistente aos tratamentos convencionais -, pode ser utilizada a isotretinoína (substância derivada da vitamina A).

Orlando Martins alerta para o facto de “alguns dos medicamentos indicados para o tratamento da acne poderem causar efeitos secundários, nomeadamente fotossensibilidade e malformações fetais, caso sejam utilizados durante a gravidez”. Como tal, para o especialista é fundamental “seguir apenas a indicação do dermatologista, tendo em atenção que o que é útil para uma amiga, poderá não ser indicado para o seu problema”.

Para além destas possibilidades terapêuticas, existem também cada vez mais formas inovadoras de tratar e controlar o aparecimento da acne. É o caso da laserterapia, como nos explica, Biscaia Fraga. Além de ser usado para corrigir as cicatrizes da acne, este tratamento “tem uma ação anti-inflamatória muito potente, promovendo rapidamente a diminuição das formas agudas da acne”. A fototerapia e os peelings mecânicos e químicos são outros dos recursos disponíveis para combater o problema.

A duração do tratamento pode ser longa – vários meses - mas não vale a pena continuar a sofrer com o estigma e as marcas causadas pela acne, nem esperar que esta passe com o tempo. Consulte um dermatologista, siga os seus conselhos e cuide da sua pele. 

 

Fontes:

- Biscaia Fraga, cirurgião plástico

- Orlando Martins, dermatologista

American Academy of Dermatology

MedlinePlus 

Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia

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