Cuidados intensivos: que impacto tem a suspensão abrupta de nicotina e cafeína?Notícias de Saúde

Quinta, 06 de Junho de 2019 | 15 Visualizações

Fonte de imagem: Bolo Jawan

Um estudo apurou que a suspensão abrupta de nicotina e de cafeína pode causar sofrimento e exames desnecessários em pacientes nas unidades de cuidados intensivos.
 
“A nicotina e a cafeína estão entre as substâncias altamente viciantes mais comummente usadas na sociedade moderna, mas também são frequentemente subestimadas como fonte potencial de sintomas de abstinência significativos quando são descontinuadas de forma abrupta”, avançou Maya Belitova, do Hospital Universitário Tsaritsa Yoanna, em Sófia, Bulgária, e investigadora que liderou o estudo.
 
Na Europa, 27% da população fuma e mais de metade consome café.
 
Para a sua investigação, Maya Belitova e colegas efetuaram uma revisão sistemática a 12 estudos de natureza clínica e observacional que reuniam um total de 483 adultos com idades compreendidas entre os 18 e os 93 anos. Os estudos analisavam os sintomas de abstinência e tratamento em unidades de cuidados intensivos entre 2000 e 2018.
 
Os resultados demonstraram que a abstinência aguda de nicotina faz aumentar substancialmente a agitação, que era de 64% nos fumadores, contra 32% nos não-fumadores. Efetivamente, o número de deslocamentos dos tubos traqueais e de linhas intravenosas causados por agitação foi de 14% nos fumadores e de 3% nos não-fumadores.
 
Por outro lado, a terapia de substituição de nicotina demonstrou ter contribuído para o desenvolvimento de delírio na unidade de cuidados intensivos, um problema associado à intubação prolongada, hospitalização mais longa e um maior risco de morte.
 
A abstinência abrupta da cafeína causa sonolência, náuseas, vómitos e dores de cabeça e pode aumentar o risco de delírio nos cuidados intensivos. Apesar de o benzoato de cafeína conseguir tratar as dores de cabeça, o seu uso como substituição nas unidades de cuidados intensivos não está bem evidenciado. 
 
“Os sintomas de abstinência incluindo náuseas, vómitos, dores de cabeça e delírio podem durar até duas semanas. Estes sintomas assemelham-se a doenças como a meningite, a encefalite e hemorragia intracraniana – isto poderá confundir o diagnóstico clínico e resultar em exames desnecessários que podem prejudicar o paciente, custar muito dinheiro e desperdiçar tempo”, comentou Maya Belitova.

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Referência
Estudo apresentado no congresso europeu Euroanesthesia

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