Criados “transportadores” de medicamentos contra cancro com novos compostosNotícias de Saúde

Quinta, 04 de Abril de 2019 | 8 Visualizações

Fonte de imagem: Superinteressante

Cientistas criaram em Portugal “transportadores” de medicamentos contra o cancro com compostos derivados de aminoácidos que foram testados com sucesso em culturas de tumores.
 
O trabalho, cujos resultados foram publicados na revista científica “Nanoscale”, foi realizado por investigadores da Universidade do Porto e do Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL), em Braga.
 
Os cientistas geraram em laboratório, a partir da síntese de moléculas derivadas de um composto orgânico, o aminoácido serina, lipossomas - pequenas vesículas esféricas que existem no organismo e que “transportam” por exemplo moléculas que propagam o sinal nervoso nas células nervosas, considerados um excelente veículo para a libertação controlada de medicamentos.
 
Na sua constituição natural, os lipossomas são formados por camadas de lípidos.
 
Em vez de criarem lipossomas com lípidos, que "são caros e muitas vezes não são estáveis quimicamente", os cientistas da Universidade do Porto geraram lipossomas com base em duas moléculas semelhantes aos lípidos, que são derivadas do aminoácido serina e mais versáteis, explicou à Lusa um dos investigadores, Eduardo Marques.
 
Os lipossomas são "uma das estratégias para transportar" a doxorrubicina, medicamento usado na quimioterapia para tratar cancro da bexiga, da próstata e do sangue e que foi utilizado no estudo, acrescentou.
 
A partir das moléculas sintetizadas por uma outra equipa da Universidade do Porto, liderada pela investigadora Luísa do Vale, os cientistas verificaram que formavam lipossomas "estáveis e robustos".
 
Um grupo de trabalho do Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, coordenado pela investigadora alemã Jana Nieder, passou à aplicação prática, ao encapsular o doxorrubicina nos lipossomas e testar o seu desempenho em culturas de células cancerígenas.
 
O resultado foi que os lipossomas se mantiveram intactos com a droga, penetraram nas células, libertaram o medicamento e mataram os tumores. 
 
Jana Nieder referiu que as vesículas esféricas permitiram que o medicamento chegasse "em grandes quantidades" às células cancerígenas, com a droga a ficar "confinada nas vesículas durante um período prolongado".
 
Para a cientista, o método poderá ser usado no futuro como "uma estratégia" para eliminar cirurgicamente e "em segurança" os tumores malignos, "reduzindo drasticamente os efeitos secundários da quimioterapia", que mata as células cancerígenas afetando as células normais, e "melhorando significativamente a qualidade de vida dos doentes".

Partilhar esta notícia
Referência
Estudo publicado na revista científica “Nanoscale”

Notícias Relacionadas