Criado tubo guia biodegradável para regeneração de nervo periféricoNotícias de Saúde

Quinta, 20 de Dezembro de 2018 | 15 Visualizações

Fonte de imagem: Medtech Insight -

Um grupo de investigadores desenvolveu um tubo-guia biodegradável para regeneração após lesões de nervos periféricos, sistema “responsável pela função motora e/ou sensorial”, anunciou a Universidade de Coimbra (UC).
 
O projeto inovador, que acaba de vencer um concurso europeu, foi desenvolvido por uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC), com a colaboração da Faculdade de Engenharia do Porto e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, refere uma nota da FCTUC, enviada à agência Lusa.
 
“Na Europa, registam-se anualmente 300 mil lesões de nervo periférico causadas, por exemplo, por acidentes rodoviários e laborais, danos tumorais ou infeções virais, representando um importante problema de saúde”, afirma a FCTUC, indicando que estas lesões estão “quase sempre associadas a lesões secundárias e, muitas vezes, provocam danos irreversíveis”, como a perda de locomoção.
 
O novo dispositivo distingue-se por ser “biodegradável de forma controlada, produzido integralmente com material aprovado pela FDA (Food and Drug Administration) e não tóxico e completamente seguro, que cria um microambiente propício à regeneração do nervo, isto é, promove a adesão e proliferação celular”, salienta o coordenador do estudo, Jorge Coelho.
 
“Outra característica importante é o facto de ser um tubo flexível, de dimensão adaptável ao tipo de lesão do nervo”, destaca ainda Jorge Coelho.
 
Depois de implantado no paciente, o tubo-guia de base polimérica “vai indicar o caminho correto para que as extremidades separadas pela lesão (corte) possam juntar-se novamente e retomar a sua função”, explicita o investigador.
 
Testada em modelos animais (ratinhos), a solução apresentou resultados muito promissores: “o tubo-guia foi implantado em modelos de neurotmese – lesão do nervo ciático, o grau mais severo de lesão de nervo periférico” – e “após 20 semanas, verificou-se a recuperação total da função motora e sensorial dos animais”, sublinha Jorge Coelho.
 
O tempo estimado para a recuperação em humanos será entre 24 e 30 semanas.
 
Atualmente, as lesões de nervo periférico são tratadas frequentemente com recurso a autoenxertos, método que, afirma a FCTUC, “apresenta muitas desvantagens, como a resistência a sutura e sacrifício de um nervo saudável”.

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Referência
Estudo da Universidade de Coimbra