Criado o primeiro monitor cardiaco portátil inteligenteNotícias de Saúde

Sábado, 20 de Abril de 2013 | 25 Visualizações

O aparelho, que deve começar a ser comercializado ainda este ano com o nome de Nexcor, vigia os problemas cardíacos à distância e em tempo real, mediante a realização de eletrocardiogramas que são enviados para uma central de controlo.

Pouco maior do que um telemóvel, o aparelho é usado pelo doente à cintura e tem quatro elétrodos colocados no peito.

Conta ainda com um intercomunicador que permite ao paciente falar imediatamente com um médico no caso de se sentir mal.

O monitor resulta de cinco anos de trabalho conjunto entre a organização sem fins lucrativos Flextronics - Instituto de Tecnologia (FIT), a empresa Corcam e o Hospital do Coração, de São Paulo, um centro de referência cardiovascular no Brasil.

No projeto trabalharam 40 profissionais, entre médicos, engenheiros, desenhadores e cientistas. O monitor, que transmite informações automaticamente através das redes de telemóvel, foi testado em mais de 160 doentes do Hospital do Coração.

Eric Nielsen, um psicólogo de 36 anos com um sopro no coração e que faz parte do grupo de doentes testados, sublinhou o facto de o monitor detetar irregularidades assintomáticas que de outra forma não se notariam.

"Sei que ele está a vigiar-me, vê o que se passa, e assim sei que o meu coração está a ser observado", disse.

Para o cardiologista Elic Szwarc, o que este aparelho tem de diferente é o facto de "detetar automaticamente as alterações mais precoces das doenças cardíacas, não medindo apenas a frequência, mas conseguindo procurar e avaliar o ritmo e as alterações".

António André, presidente de Corcam, sublinhou, por seu lado, que o monitor "pode identificar ataques cardíacos na sua fase inicial e síndromes raros das arritmias".

Os mercados dos Estados Unidos e Europa deverão receber ainda este semestre os primeiros modelos produzidos, que poderão ser alugados aos doentes por um preço que deverá rondar os 600 reais (cerca de 230 euros) por uma semana.

"É um modelo que pode ser personalizado, de acordo com as condições específicas de cada paciente", acrescentou António André.

Países como o Brasil deverão registar um défice de cardiologistas que poderá atingir os 800 mil até 2020, estimou António André, lembrando que o país tem 1,2 milhões de pessoas com problemas cardíacos.

"O objetivo é reduzir o grande número de mortes por ataques de coração que não são detetados nos primeiros instantes por serem assintomáticos", disse.

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Autor
Lusa
Referência

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