Controlo do apetite: descoberto papel de um tipo de células cerebraisNotícias de Saúde

Sexta, 21 de Outubro de 2016 | 42 Visualizações

Fonte de imagem: Gizmodo Australia

Investigadores americanos descobriram que um tipo de células cerebrais, as células glia, desempenham um papel importante no controlo do apetite e comportamento alimentar. O estudo publicado na revista “eLife” poderá conduzir ao desenvolvimento de novos fármacos contra a obesidade e outras condições associadas ao apetite.

Há muito que se sabe que o hipotálamo, uma estrutura em forma de amêndoa localizada nas profundezas do cérebro, controla o apetite, bem como o dispêndio de energia, temperatura corporal e ritmo circadiano, incluindo os ciclos de sono.

Enquanto estavam a realizar estudos nas células glia noutras partes do cérebro, os investigadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos EUA, repararam que o hipotálamo também apresentava bastante atividade deste tipo de células.

Os investigadores, liderados por Weiping Han, ficaram curiosos sobre o papel destas células no hipotálamo, uma vez que tem sido demonstrado que as células glia regulam a função neuronal noutras partes do cérebro.

No hipotálamo, os cientistas identificaram dois grupos de neurónios que regulam o apetite: os neurónios AgRP e os POMC. Os neurónios AgRP estimulam a alimentação, enquanto os POMC suprimem o apetite.

Até à data era difícil estudar o papel das células glia, pois não existiam técnicas para silenciar ou estimular estas células, que constituem cerca de metade das células no cérebro e que têm muitos papéis coadjuvantes, ajudando nomeadamente os neurónios a formar ligações entre eles.

Neste estudo, os investigadores utilizaram uma técnica desenvolvida pela Universidade da Carolina do Norte, nos EUA, para analisar um tipo de células glia, os astrócitos. Através desta abordagem, os investigadores foram capazes de modificar células específicas para que estas produzissem um recetor de superfície que se liga a um químico, o CNO, que é um derivado da clozapina. Quando este composto é administrado, ativa as células glia.

Os investigadores constataram que a ativação dos astrócitos, com apenas uma dose de CNO, tinha um efeito significativo no comportamento alimentar.

Guoping Feng, um dos autores do estudo, referiu que quando administraram este composto aos ratinhos foi observado um aumento na ingestão de alimentos. Contudo, verificou-se que, apesar de animais comerem mais, não aumentaram de peso.
Na opinião do investigador, as células glia podem também estar a modelar os neurónios que controlam o dispêndio de energia, para compensar o aumento da ingestão de alimentos. “Talvez tenham múltiplos parceiros neuronais e modulem várias funções da homeostasia energética ao mesmo tempo”, referiu, em comunicado de imprensa, Guoping Feng.

Por outro lado, quando a atividade dos astrócitos foi silenciada, os animais comeram menos.

No entanto, ainda não se sabe de que forma os astrócitos exercem os seus efeitos nos neurónios. Alguns estudos têm sugerido que as células glia são capazes de secretar mensageiros químicos, como o glutamato e ATP. Se este for o caso, podem assim influenciar a atividade neuronal.

Outra hipótese é que em vez de secretar substâncias químicas, os astrócitos exercem os seus efeitos através do controlo da absorção de neurotransmissores a partir do espaço envolvente dos neurónios, afetando a atividade destes indiretamente.

Partilhar esta notícia
Referência
Estudo publicado na revista “eLife”