Controlar tumores cancerígenos agressivos com a matemáticaNotícias de Saúde

Segunda, 29 de Maio de 2017 | 15 Visualizações

Fonte de imagem: 3DPrint

Uma equipa de investigadores desenvolveu modelos matemáticos que podem considerar muitas variáveis para perceber e controlar o cancro.
 
O estudo conduzido pelo Departamento de Oncologia Matemática Integrada, do Centro de Cancro Moffit, EUA, demonstrou que os modelos matemáticos podem ser utilizados para prognosticar a forma como diferentes tipos de aglomerados de células tumorais interagem entre si e reagem face a alterações no ambiente em que se inserem.
 
Segundo o centro, os cancros podem ser vistos como sendo sistemas dinâmicos complexos devido ao facto de possuírem muitas partes interativas que podem mudar no tempo e espaço. São apresentadas as condições meteorológicas como exemplo de sistema dinâmico complexo.
 
Os investigadores conseguiram descobrir duas populações de células diferentes que coexistem em muitos tipos de tumores. Uma dessas populações é composta por células agressivas que invadem o espaço envolvente, migram e formam metástases. A outra população consiste em células não-invasivas com tendência a fixar-se num local e formar vasos sanguíneos.
 
Foi demonstrado, através de um modelo animal, que normalmente as células cancerígenas invasivas são mais numerosas e têm uma vantagem sobre as células não-invasivas em termos de sobrevivência, devido à sua capacidade de invadirem tecidos adjacentes.
 
No entanto, as células invasivas são mais sensíveis a alterações em recursos limitados e ao ambiente. 
 
A equipa descobriu que através de modelos matemáticos que permitem perceber os complicados dinamismos dos cancros, podem fazer pequenas alterações no ambiente para promover o crescimento das células menos agressivas e assim fazer desacelerar o crescimento dos tumores. 
 
Neste caso foi com o pH do tumor. A equipa usou modelos matemáticos computacionais para preverem pequenas mudanças que provocassem um desequilíbrio, de forma a que as células invasivas ficassem com uma menor vantagem de sobrevivência face às não-invasivas.
 
Foi adicionado bicarbonato de sódio à água de beber de ratinhos com cancro da próstata de forma a alterar o pH do ambiente em que se inseriam os tumores. 
 
Como resultado, as células tumorais não-invasivas desenvolveram uma vantagem, em termos de sobrevivência, em relação às células invasivas, sendo que os tumores se mantiveram reduzidos e na próstata.
 
A equipa considera assim que com o conhecimento suficiente e o uso de modelos suficientes os cancros poderão ser manipulados para apresentarem um padrão de crescimento menos invasivo com a aplicação de uma pequena força biológica. 
 
E, neste contexto, foi evocado o efeito borboleta, que propõe que o bater de asas por uma borboleta no Japão causa um tornado no Texas.

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Referência
Estudo publicado na revista “Cancer Research”

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