Contacto com germes ajuda a prevenir cancro nas criançasNotícias de Saúde

Sexta, 25 de Maio de 2018 | 13 Visualizações

Fonte de imagem: Kids Health

Uma infância sem exposição a germes pode potenciar o aparecimento do tipo mais comum de cancro infantil, a leucemia linfoblástica aguda. O alerta, em jeito de aviso a todos os pais superprotetores, é feito por Melvyn Greaves, um dos mais reputados cientistas britânicos.

Ao fim de mais de 30 anos de investigação para perceber o que está na origem desta doença, este cientista, que é do diretor do Instituto de Pesquisa sobre o Cancro (IPC), não tem dúvidas de que o sistema imunitário das crianças deve lidar com micróbios, germes e bactérias nos primeiros anos de vida.

Num artigo publicado na revista Nature Reviews Cancer, Greaves afirma que o sistema imunitário das crianças que não estão em contacto com germes – que não brincam na rua ou não convivem com outras crianças, por exemplo – torna cancerígenas infeções que, de outra forma, seriam fáceis de debelar. Isto acontece porque o sistema imunitário não “treinou” a resistência a infeções durante a infância.

Para além desta causa, que é evitável, existem mais duas. Uma delas é uma alteração genética, que ocorre durante a gestação, e que é incontrolável. Uma outra, cuja incidência é reduzida, é a falta de exposição a micróbios no primeiro ano de vida, o que impede, tal como acontece durante a infância, o sistema imunitário de aprender a lidar com ameaças.

A leucemia linfoblástica aguda afeta uma em cada 2000 crianças. A combinação de quimioterapias disponíveis atualmente permite que a taxa de sobrevivência aumentasse para os 90%. Contudo, os efeitos colaterais podem ser graves e duradouros. Para os restantes 10% ainda não existem opções de tratamento adequadas.

Claire Hastings, do departamento de comunicação do IPC, salienta que o “sistema imunitário humano deve ser devidamente educado no início da vida, para saber a maneira correta de responder a uma infeção”.

“O sistema imunológico precisa de ser desafiado por diferentes “bugs” – como bactérias, vírus, parasitas e fungos – a fim de estabelecer as conexões certas entre as moléculas e células que compõem a complexa rede que é essencial para se ter respostas imunitárias normais”, esclarece Hastings.

 

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