Consumo regular de azeite melhora saúde cardíacaNotícias de Saúde

Sexta, 21 de Novembro de 2014 | 89 Visualizações

O consumo regular de azeite pode melhorar "drasticamente" a saúde cardíaca, em particular em pessoas que não seguem, por norma, uma dieta mediterrânica. A conclusão é de um estudo europeu que utilizou azeite português e que contou com a colaboração de investigadores nacionais.

O estudo, conduzido pela Universidade de Glasgow, Escócia, com o apoio da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, do Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica (iBET) de Portugal e da clínica de diagnóstico Mosaiques, na Alemanha, estudou os efeitos do azeite, um ingrediente central da dieta mediterrânica, na saúde do coração de pessoas que não o consumiam. 

Os investigadores, que deram a conhecer recentemente os resultados do trabalho na revista científica "The American Journal of Clinical Nutrition", dedicaram-se, nomeadamente, à análise dos efeitos dos fenólicos - compostos naturais encontrados nas azeitonas - no funcionamento do sistema cardiovascular.

Tal como os ácidos gordos monoinsaturados, os fenólicos são, na opinião da Administração do Medicamento dos EUA e da Autoridade de Segurança Alimentar Europeia os responsáveis pelos benefícios e caráter protetor do azeite, um facto que os investigadores procuraram comprovar. 

Para o fazer, recrutaram 69 voluntários saudáveis que foram divididos em dois grupos e a quem foi solicitado que consumissem 20ml de azeite com baixas ou altas quantidades de fenólicos durante seis dias. Em comum, todos tinham o facto de, habitualmente, não consumir azeite. 

A equipa europeia aplicou, depois, uma tecnologia de diagnóstico inovadora desenvolvida na Alemanha que assentou na análise de amostras de urina, nas quais procuraram uma série de peptídeos identificados como biomarcadores de patologias que vão desde a doença da artéria coronária (CAD) à diabetes ou à doença renal crónica. 

Ácidos gordos do azeite contribuem para proteger o coração

Os resultados mostraram que, com o consumo de azeite, ambos os grupos apresentaram uma grande melhoria ao nível do risco de desenvolvimento de CAD. "O que descobrimos foi que, independentemente da quantidade de fenólicos no azeite, houve um efeito positivo na saúde cardiovascular", afirma, em comunicado, Emilie Combet, da Universidade de Glasgow.

Segundo a investigadora, "na amostra estudada, qualquer tipo de azeite - baixo ou rico em fenólicos - parece ser benéfico", sendo que os ácidos gordos são, "provavelmente, os que mais contribuem para este efeito" protetor do coração. 

Combet destaca que "a estratégia utilizada é muito poderosa na deteção de mudanças na saúde antes do aparecimento dos sintomas" e revela que a equipa escocesa vai continuar a colaboração com Sandra Silva, estudante de doutoramento, e a orientadora Maria Bronze, da Universidade de Lisboa e do iBET, "para estudar [esta questão] mais a fundo".

"A interação com Portugal tem sido de um valor indescritível [para a investigação]", acrescenta a cientista. Refira-se, a este propósito, que o azeite utilizado no estudo foi produzido pela Sovena Portugal no âmbito do projeto "Azeite+Global", coordenado pela empresa nacional. 

Agora, os investigadores esperam que estes testes possam vir a ser utilizados pelos sistemas nacionais de saúde para identificar sinais precoces de uma grande quantidade de doenças a partir de uma simples amostra de urina. 

O principal problema a ultrapassar está relacionado com o custo da tecnologia envolvida, "embora [a mesma] possa proporcionar poupanças a longo-prazo", finaliza a Universidade de Glasgow.

Clique AQUI para aceder ao estudo (em inglês).

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Referência
Revista científica The American Journal of Clinical Nutrition

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