Conheça alguns mitos e verdades sobre a epilepsiaNotícias de Saúde

Domingo, 22 de Maio de 2016 | 145 Visualizações

Fonte de imagem: medscape

Entenda as causas da doença, as suas manifestações e a melhor forma de ajudar.

“A epilepsia é um distúrbio cerebral crónico, caracterizado por diversos fatores e pela recorrência de crises espontâneas, ou seja, não provocadas por substâncias tóxicas ou medicamentos”, explica o neurocirurgião e professor de Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Feres Chaddad Neto.

Além do preconceito, o médico aponta que a maior parte da população sabe muito pouco sobre esta doença.

“Clinicamente, as epilepsias são caracterizadas por crises convulsivas ou não convulsivas, que são causadas por descargas parciais ou generalizadas no cérebro. Esta condição tem consequências neurobiológicas, cognitivas, psicológicas e sociais, que prejudicam diretamente a vida do indivíduo”, esclarece Feres Chaddad Neto.

As causas são variadas, podem ocorrer em virtude de uma simples tendência a crises, determinada por fatores genéticos, ou em função de lesões bem definidas do sistema nervoso.

“A maior incidência da epilepsia acontece no primeiro ano de vida e volta a aumentar após os 60 anos de idade. Cerca de 30% dos pacientes continuam a apresentar crises mesmo com o tratamento anticonvulsões. Nesses casos, a cirurgia pode ser uma opção, mas para ser indicada, é necessário uma investigação minuciosa para que o paciente evolua sem crises nem défices neurológicos e melhore sua qualidade de vida”, afirma o neurocirurgião.

“No cérebro, a comunicação entre os neurónios é feita através de impulsos elétricos. Nas pessoas que possuem epilepsia, durante as crises, esses impulsos acontecem em excesso, provocando desde sintomas como formigueiro e confusões mentais, até convulsões. A doença pode ser desencadeada por problemas que afetam o sistema nervoso como traumatismos e infeções.”

Tipos de crises: Quando se trata de uma crise epilética, a primeira referência que temos são as convulsões. No entanto, existem muitos tipos de manifestações da doença. O mais conhecido é o ataque epilético, caracterizado por contrações musculares, salivação intensa, respiração ofegante, morder a língua e descontrolo da bexiga.

“Há outro tipo de crise, caracterizado por um desmaio ou ausência. O paciente mantém o olhar fixo e perde a comunicação com as outras pessoas por alguns minutos ou segundos. Muitas vezes, esse tipo de manifestação não é sequer percebida pelos familiares”, aponta Feres.

No sentido oposto da ausência, existe a crise de “alerta”. “A pessoa perde o controlo dos seus movimentos, geralmente na fala e no caminhar. Há uma alteração da consciência, sem desmaio, precedida a maior parte das vezes por um mal-estar no abdómen. Este modelo é uma manifestação do tipo mais frequente da doença, chamado epilepsia do lobo temporal (ELT).”

Estes são alguns tipos de manifestações, mas ainda existem outros que incluemalterações na perceção e na memória. “Geralmente, após a crise o paciente fica bastante cansado e não costuma lembrar-se do que aconteceu”, conta o médico.

Os mitos a desvendar: O principal é a ideia de que se deve segurar na língua da pessoa que está a ter um ataque ou inserir um pano na sua boca para que não enrole e se asfixie com a própria língua. “Este é o principal erro que se pode cometer. Além do indivíduo que está a ajudar poder magoar-se com alguma mordidela involuntária, o paciente pode engasgar-se com o tecido nasua boca”, explica o médico.

“Durante uma crise, a língua, como todos os outros músculos, fica contraída. Por isso, não existe nenhum risco de a pessoa engolir ou enrolar a língua.” Também é importante destacar que a epilepsia não é contagiosa.

“O mais indicado é não agarrar a pessoanão lhe colocar nenhum objeto na sua boca,mas sim posicioná-la deitada de ladoacomodar a sua cabeça e afastar os objetos com que ela se possa magoar. Espere que o paciente recupere a consciência e explique-lhe o que aconteceu. Se a crise durar mais de cinco minutos, chame o 112”.

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