Como as mudanças de clima poderão afetar a alimentaçãoNotícias de Saúde

Sexta, 08 de Janeiro de 2016 | 23 Visualizações

Fonte de imagem: toscabella

Irá o aquecimento global colocar em causa a produção – e qualidade – dos alimentos naturais?

Uma em cada seis espécies de animais poderá ser extinta às custas do aquecimento global. Mas será esta a única mudança provocada na alimentação? Possivelmente não.

Conta um artigo da BBC que são cada vez mais os produtores agrícolas a queixarem-se das dificuldades em manter os seus cultivos… e tudo por causa do clima. Contudo, não existem ainda provas e evidências científicas de que o aquecimento global poderá ditar o fim de alguns dos alimentos atualmente mais consumidos, como o cacau, o vinho, o milho e o trigo.

Andrew Jarvis, líder do Programa de Pesquisas em Mudanças Climáticas, Agricultura e Segurança Alimentar do CGIAR, não se mostra muito pessimista (ou até mesmo preocupado) face aos queixumes dos produtores, afinal, defende, “um tipo de cultivo sozinho não deve desaparecer”, até porque, “em algum lugar do mundo” estará outra pessoa a produzir esse alimento.

Contudo, e embora a existência do alimento não fique em causa, há uma questão que merece atenção: a qualidade do produto. À medida que a temperatura sobe, são necessárias mudanças e adaptações na forma de cultivo, algo que poderá colocar em causa a qualidade e o sabor (assim como a textura e aparência) dos alimentos.

“Mesmo que a produção de alimentos em geral não seja atingida, a segurança alimentar pode sofrer um impacto”, afirma Margaret Walsh, ecologista do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, defendendo que algumas pessoas poderão ter dificuldades em aceder a determinados alimentos num futuro não muito longínquo.

Wolfram Schlenker, professor na Universidade Columbia, tem uma certeza: o que aí vem não é bom e a alimentação vai sofrer com isso. “O que todos os estudos encontraram foi que o calor extremo é prejudicial aos cultivos, apesar de a temperatura exata depender de cada plantação”, diz, citado pela BBC.

E se a qualidade (e pureza) do alimento poderá ficar diferente, o mesmo acontecerá com o preço. Uma vez que serão necessárias mudanças e adaptações à forma de cultivo, o preço do produto final será maior, o que dificultará ainda mais o acesso a determinados alimentos.

Mas nem tudo são más notícias

Como já foi referido em cima, a existência de alimentos naturais e frequentemente consumidos, como grãos, hortaliças, frutas e afins não ficará em causa.

Além disso, destaca a publicação, têm sido já feitos esforços para que o impacto do aquecimento global não seja demasiado negativo. A Fundação Bill Gates, por exemplo, está a tentar criar sementes resistentes aos períodos de seca (que se avizinham frequentes) e de maior calor.

O desenvolvimento de novas formas de irrigação é outra estratégia que poderá atenuar o impacto da subida das temperaturas.

Por fim, como destaca Andrew Jarvis, as pessoas podem ver nestas alterações um incentivo para a mudança e para a aquisição de novos hábitos alimentares, deixando de ficar tão dependentes do arroz e da massa, por exemplo.

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