Colaborar com as nossas próprias bactérias pode travar a infeção?Notícias de Saúde

Sexta, 01 de Junho de 2018 | 6 Visualizações

Fonte de imagem: Phys.

Uma equipa de investigadores desenvolveu uma abordagem à infeção que consiste numa relação benéfica co-dependente entre hospedeiros e bactérias, conhecida como mutualismo.
 
A nova abordagem que foi desenvolvida em ambiente de laboratório por uma equipa de investigadores da Universidade de Oxford, Inglaterra, procurou assim dar resposta à crescente resistência microbiana da atualidade.
 
É indiscutível que as bactérias se têm tornado cada vez mais resistentes aos antibióticos e os cientistas têm procurado outros caminhos para lidar com a crise das superbactérias que incluem a utilização de micróbios defensores e transplantes fecais.
 
As relações entre hospedeiro e micróbios são prevalentes na natureza, tanto em animais, incluindo humanos, como plantas. Estas relações são mutualmente benéficas pois o hospedeiro beneficia da proteção das bactérias e as bactérias beneficiam do hospedeiro que é um ambiente saudável para habitar.
 
Os investigadores, juntamente com colegas da Universidade de Bath, Inglaterra, propôs-se testar o desenvolvimento do mutualismo entre hospedeiro e bactérias, desde o início até evoluir de forma a oferecer proteção contra parasitas nocivos e infeciosos.
 
A equipa seguiu a evolução do mutualismo entre um hospedeiro nematódeo e a bactéria intestinal Enterococcus faecalis (E. faecalis), com o potencial de protegerem contra infeções com bactérias patogénicas. 
 
Após algumas semanas de evolução, foi verificado que tanto o nematódeo como as bactérias intestinais colaboravam mutuamente, lutando contra ataques de parasitas, um efeito apenas visível quando o hospedeiro e as bactérias co-evoluíam na presença de um parasita.
 
“As bactérias evoluem para se tornarem mais protetoras e, por sua vez, os hospedeiros evoluem para permitirem mais colonização da E. faecalis. Desenvolver para permitir a colonização e ajuda de bactérias protetoras poderá tornar-se uma forma comum de defesa contra as doenças infeciosas”, comentou Charlotte Rafaluk-Mohr, autora principal do estudo.
 
“Os corpos inteiros dos humanos e animais estão cobertos de micróbios dentro e fora. Muitas dessas bactérias podem ajudar, defendendo-nos (os seus hospedeiros) contra ataques de parasitas nocivos. Em suma, uma relação ligeiramente parasítica desenvolve-se para se tornar mutualmente benéfica”, acrescentou Kayla King, autora sénior do estudo. 

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Referência
Estudo publicado na revista “Evolution Letters”

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