Cetamina: uso generalizado no tratamento da depressão requer cautelaNotícias de Saúde

Terça, 02 de Outubro de 2018 | 64 Visualizações

Um novo estudo descobriu que o efeito antidepressivo agudo da cetamina requer a ativação do sistema opioide.
 
Segundo o estudo liderado por Alan Schatzberg, da Universidade de Stanford, EUA, esta foi a primeira vez que foi demonstrado em humanos a necessidade de um recetor para o mecanismo de ação de um antidepressivo.
 
Os opiáceos, como se sabe, embora sejam usados historicamente para tratar a depressão, apresentam um elevado risco de dependência. Por isso, o investigador que liderou este estudo recomenda cautela no uso repetido e generalizado da cetamina para tratar a depressão até serem conduzidos mais estudos sobre aqueles possíveis riscos do fármaco.
 
Considera-se que o efeito rápido da cetamina sobre a depressão poderá ser devido ao antagonismo do recetor NMDA, um mecanismo cujas tentativas de conseguir em fármacos antidepressivos não têm sido bem-sucedidas. 
 
O presente estudo pretendia determinar o papel desempenhado pelo sistema opioide sobre os efeitos antidepressivos e dissociativos da cetamina em adultos com depressão resistente a outros tratamentos. 
 
A equipa procurou determinar se administrar naltrexona, que é um bloqueador opioide, antes da cetamina reduziria os efeitos antidepressivos agudos deste fármaco. Para o efeito, foi conduzido um ensaio em que os participantes receberam aleatoriamente o bloqueador opioide ou um placebo antes da infusão de cetamina. 
 
Como resultado, os participantes que receberam a cetamina e a naltrexona tiveram uma redução muito menor nos sintomas antidepressivos do que os que receberam a cetamina e o placebo. 
 
Mark George, médico da Universidade Médica da Carolina do Sul, EUA, escreveu num editorial que “com estes novos achados devíamos ser cautelosos em relação ao uso generalizado e repetido da cetamina antes de se conduzir mais testes sobre o mecanismo para determinar se a cetamina é meramente outro opiáceo com um novo formato”.

Partilhar esta notícia
Referência
Estudo publicado na revista “American Journal of Psychiatry”

Notícias Relacionadas

Info-Saúde Relacionados