Células dendríticas em decadência, mas "dr. google" continuaNotícias de Saúde

Segunda, 26 de Fevereiro de 2018 | 40 Visualizações

Fonte de imagem: HemaCare

As células dendríticas foram um negócio que entrou em decadência, pois os pais das crianças com cancro deixaram de falar nelas, anunciou a agência Lusa.
 
No Fórum “Cancro Pediátrico”, Armando Pinto diretor da pediatria no Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto disse ainda que apesar do negócio das células dendríticas ter entrado em decadência, os pais continuam a levar para os consultórios o “dr. google”.
 
Para o especialista, faz parte do dia-a-dia dos médicos que atendem crianças com cancro responder a dúvidas dos pais sobre as terapias alternativas.
 
“O dr. google entra todos os dias nos nossos serviços e consultórios. O que eu tento explicar é que algumas dessas terapias são puramente experimentais e, embora não seja contra as experiências, elas não passam disso”, disse.
 
Há alguns anos, muitos foram os pais de crianças com cancro que questionaram a eficácia das células dendríticas - que atuam ao nível do sistema imunitário e são usadas em tratamentos ainda experimentais - sobre as quais existia um aceso debate nas redes sociais, mas o assunto “saiu de cena”.
 
“Inicialmente foi uma experiência e depois transformou-se num negócio rentável que está a entrar em decadência. Saiu de cena, pois os pais deixaram de falar nele”, adiantou Armando Pinto.
 
Este médico recordou que o IPO do Porto está ligado em rede aos outros centros europeus e que às crianças e aos seus pais é sempre proposto o tratamento considerado mais adequado. Nesta escolha não são feitas contas, conforme afirmou Armando Pinto: “Tratamos os doentes e não pensamos em contas”, disse.
 
Em relação a esta área da medicina, o especialista partilhou com a audiência que é muitas vezes questionado sobre como consegue tratar estes doentes, tão novos.
 
“Aos doentes é que deve ser perguntado como aguentam as doenças. Os médicos são uns privilegiados porque podem ajudar os doentes e fazer qualquer coisa para mudar o mundo”, sublinhou.
 
Neste serviço, um novo caso é tratado como um incêndio: “Todos os canais têm de ser ativados e depressa. Os pediatras têm pressa”, disse, referindo-se ao facto de a maioria das doenças oncológicas serem de crescimento rápido nas crianças.

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