Células das plantas comunicam a partir de proteínas que existem nos animaisNotícias de Saúde

Segunda, 07 de Maio de 2018 | 19 Visualizações

Fonte de imagem: ThoughtCo

Uma equipa internacional de cientistas descobriu que as células das plantas comunicam a partir de proteínas que existem nas células cerebrais dos animais, mas que desempenham funções distintas, divulgou a agência Lusa.
 
O estudo foi coordenado por José Feijó, investigador da universidade norte-americana de Maryland, que começou a pesquisa quando ainda trabalhava no Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC).
 
Em declarações à Lusa, o investigador disse que o estudo permite compreender melhor a defesa das plantas contra infeções, a sua reprodução e a sua resposta ao stress ambiental, que poderá conduzir "a melhores estratégias de adaptação às alterações climáticas".
 
A equipa de investigação descobriu que os recetores de glutamato, que são proteínas, "têm um papel essencial na comunicação nas células das plantas", ao regularem os "níveis de iões de cálcio que existem dentro da célula", refere o IGC em comunicado.
 
Os iões de cálcio são fundamentais para "a resposta a stress ambiental, como o provocado por alterações climáticas, e para a imunidade a infeções causadas por insetos ou fungos", adianta o IGC.
 
Os recetores de glutamato existem nos animais, mas, de acordo com os cientistas, desempenham uma função diferente dos das plantas.
 
Nos animais, os recetores interferem apenas na comunicação entre neurónios (células cerebrais) "ajudando na transmissão dos sinais nervosos de um neurónio para outro". Se os recetores de glutamato não funcionarem corretamente, podem surgir problemas cognitivos ou neurodegenerativos.
 
Nas plantas, que não têm sistema nervoso, tais recetores têm um papel ao nível da reprodução, do crescimento e da imunidade contra doenças e pragas, além de permitir a propagação de estímulos elétricos.
 
"Quase todas as plantas têm mais tipos de recetores de glutamato que todo o nosso sistema nervoso, e esse facto sugere que sejam importantes para muitas funções", assinalou José Feijó.

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Referência
Estudo publicado na revista “Science”