Células cancerígenas: pH ácido é o “calcanhar de Aquiles”Notícias de Saúde

Sábado, 17 de Novembro de 2018 | 137 Visualizações

Uma equipa de investigadores desenvolveu um modelo computacional que permite identificar novos alvos terapêuticos para atacar as células cancerígenas através da redução do seu pH intracelular.
 
Miquel Duran-Frigola, do instituto IRB Barcelona, em Espanha, trabalhou no modelo computacional em colaboração com investigadores do Centro do Cancro Moffitt e da Universidade de Maryland, ambos nos EUA, cujos resultados oferecem novas avenidas para tratar o cancro.
 
Sabe-se que as células cancerígenas acidificam o meio-ambiente onde proliferam, o que faz com que o interior das mesmas seja alcalizado. Em princípio, esta desregulação deveria afetar o desenvolvimento e proliferação deste tipo de células. No entanto, sucede o oposto.
 
O modelo computacional desenvolvido analisa a forma como as variações no pH afetam a atividade de quase 2000 enzimas metabólicas. Para a sua construção, os investigadores usaram milhares de dados de ensaios bioquímicos e uma base de dados de expressão genética de células cancerígenas. 
 
“Quisemos abordar o problema em grande escala”, afirmou says Miquel Duran-Frigola. “Entender a ligação entre as vias metabólicas que funcionam melhor com diferentes pH pode-nos dar uma ideia sobre os mecanismos que o cancro utiliza para sobreviver nas condições do seu pH básico”, acrescentou. 
 
A equipa confirmou a hipótese formulada, que prevê que se as células cancerígenas proliferam facilmente num ambiente alcalino, serão mais vulneráveis num ambiente ácido. Sendo assim, poder-se-á considerar no futuro uma estratégia de tratamento em que se acidifique as células cancerígenas, em combinação com tratamentos mais convencionais.
 
Adicionalmente, a equipa identificou as enzimas metabólicas que funcionam de forma sinergética com a acidez intracelular no desenvolvimento do cancro, indicando assim que essas moléculas poderão ser possíveis alvos terapêuticos.
 
“Este trabalho é ainda muito académico, mas acreditamos que alguns dos alvos identificados estão prontos a serem testados em animais, permitindo-nos assim passar para fases de ensaios pré-clínicos mais avançados”, concluiu o investigador.

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Referência
Estudo publicado na revista “Nature Communications”