Carne vermelha: por que motivo aumenta o risco de doença cardiovascular?Notícias de Saúde

Sábado, 08 de Novembro de 2014 | 39 Visualizações

Investigadores americanos descobriram de que forma as bactérias intestinais transformam um nutriente encontrado na carne vermelha em metabolitos que aumentam o risco de desenvolvimento de doença cardíaca, dá conta um estudo publicado na revista “Cell Metabolism”.

Estudos anteriores liderados por Stanley Hazen, do Instituto de Investigação de Lerner e da Clínica de Cleveland, nos EUA, já tinham encontrado uma via através da qual a carne vermelha promovia a aterosclerose. As bactérias intestinais convertem a L-carnitina, um nutriente abundante na carne vermelha, num composto, denominado por trimetilamina, que por sua vez se transforma no N-óxido de trimetilamina (TMAO, sigla em inglês) que promove a aterosclerose.

Neste estudo os investigadores identificaram agora um outro metabolito, denominado por gama-butirobetaína, que é produzido numa extensão ainda maior pelas bactérias intestinais após a L-carnitina ser ingerida, contribuindo também para aterosclerose.

O estudo apurou que o gama-butirobetaína é produzido como um metabolito intermediário pelos microrganismos a uma taxa mil vezes maior que a formação de trimetilamina no intestino. Assim, nos modelos de ratinhos utilizados, este é o metabolito mais abundantemente gerado por microrganismos, a partir da L-carnitina.

Os investigadores também constataram que o gama-butirobetaína poderia converte-se em trimetilamina e TMAO. No entanto, verificou-se que as bactérias que produzem o gama-butirobetaína são diferentes daquelas que produzem trimetilamina a partir da L-carnitina.

A descoberta de que o metabolismo da L-carnitina envolve duas vias microbianas diferentes, assim como diferentes estirpes de bactérias, sugere novos alvos para a prevenção da aterosclerose, nomeadamente através da inibição de várias enzimas bacterianas ou alterando a composição das bactérias intestinais com probióticos ou outros tratamentos.

“Este estudo poderá ajudar a desenvolver uma intervenção que permita um dia comer um bife sem estar com a preocupação do desenvolvimento de doença cardíaca”, conclui Stanley Hazen.

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Referência
Estudo publicado na revista “Cell Metabolism”

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