Carne grelhada aumenta risco de diabetes e AlzheimerNotícias de Saúde

Segunda, 17 de Março de 2014 | 366 Visualizações

O consumo de produtos de origem animal que são processados através do calor poderá aumentar o risco de doenças como a diabetes e a Alzheimer, revela um estudo norte-americano.

O estudo conduzido por uma equipa de investigadores da Escola de Medicina Icahn,  em Nova Iorque, EUA, demonstrou que a carne submetida a processamento por calor apresenta níveis elevados de Produtos Finais de Glicosilação Avançada (AGEs segundo a sigla em inglês).

Estes compostos estão associados à deterioração de muitas doenças degenerativas como a diabetes e a Alzheimer. Os Produtos Finais de Glicosilação Avançada podem ser encontrados em alimentos comuns na dieta ocidental, a qual é rica em gordura saturada, carne vermelha e hidratos de carbono simples, e pobre em cereais integrais, peixe, aves, fruta e hortaliça.

Para o estudo, a equipa procedeu à monitorização da saúde cognitiva de ratinhos que foram submetidos a uma dieta rica em Produtos Finais de Glicosilação Avançada, os quais revelaram níveis elevados destes compostos no cérebro, comparativamente a ratinhos que tinham consumido uma dieta pobre naqueles compostos.

Os níveis elevados de Produtos Finais de Glicosilação Avançada suprimem uma deacitilase (enzima),  denominada SIRT1, presente nos tecidos sanguíneos e cerebrais dos ratinhos, e que é responsável pela regulação da função neuronal, imune e endócrina. Os investigadores observaram que as pessoas que têm doenças metabólicas, como a diabetes, e neuro-degenerativas, têm a SIRT1 suprimida.

Como resultado, os ratinhos que tinham consumido uma dieta rica em Produtos Finais de Glicosilação Avançada desenvolveram problemas cognitivos e motores. Foram, também, detetadas acumulações de placa beta-amiloide, características da doença de Alzheimer, nos cérebros daqueles roedores. Finalmente, estes ratinhos desenvolveram síndrome metabólica, a qual aumenta o risco de doença cardíaca e diabetes.

Posteriormente, os investigadores conduziram um estudo clínico, tendo monitorizado indivíduos saudáveis, com idade superior a 60 anos, durante um período de nove meses. Alguns dos participantes apresentavam níveis elevados de Produtos Finais de Glicosilação Avançada no sangue e outros participantes apresentavam níveis baixos daqueles compostos.

Após o período de monitorização, a equipa observou que os indivíduos com níveis elevados de Produtos Finais de Glicosilação Avançada no sangue apresentavam supressão da SIRT1 e sinais de resistência à insulina. Os indivíduos com níveis baixos destes compostos no sangue continuavam saudáveis.

Os investigadores concluem, assim, que a adoção de uma dieta sem alimentos ricos em Produtos Finais de Glicosilação Avançada poderá ajudar a não desenvolver doença de Alzheimer e diabetes, acrescentado que a forma de cozinhar os alimentos é igualmente relevante: “por exemplo, alimentos que são cozinhados ou processados a temperaturas mais baixas e com mais água - métodos de cozinhar empregues desde há séculos”, explica, Helen Vlassara, autora do estudo.

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Autor
Estudo publicado na “Proceedings of the National Academy of Sciences” / Alert Science
Referência
investigadores da Escola de Medicina Icahn,em Nova Iorque, EUA

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