Cancro do rim: gordura abdominal é prejudicial em mulheresNotícias de Saúde

Sexta, 06 de Abril de 2018 | 22 Visualizações

Fonte de imagem: WebMD

A gordura abdominal afeta a possibilidade de sobrevivência ao cancro do rim nas mulheres, mas não nos homens, indicou um estudo.
 
Conduzido por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington, EUA, o estudo sugere que o cancro do rim poderá desenvolver-se e evoluir de forma diferente nos homens e mulheres.
 
O excesso de peso é um dos maiores fatores de risco para o cancro do rim, mas não implica necessariamente um resultado mau. O novo estudo sugere que nas mulheres a sobrevida após o diagnóstico depende, não da gordura total, mas da sua distribuição no corpo.
 
Para o estudo, a equipa analisou exames de imagem de 145 homens e 77 mulheres com cancro do rim. Foi observado que metade das mulheres com muita gordura visceral tinham morrido no espaço de três anos e meio após o diagnóstico, enquanto mais de metade das que possuíam pouca gordura visceral continuavam vivas 12 anos mais tarde.
 
Nos homens, não se verificou uma correlação entre a gordura visceral e o período de sobrevivência. 
 
Joseph Ippolito, autor sénior do estudo explica que “sabemos que há diferenças de metabolismo nos homens saudáveis em relação às mulheres saudáveis”. 
 
O investigador acrescentou que isso se verifica “não só em relação à localização da gordura, mas na forma como as células usam a glicose, ácidos gordos e outros nutrientes. Assim, o facto de a gordura visceral importar para as mulheres, mas não para os homens, sugere que há algo para além de apenas excesso de peso”.
 
Esse “algo” poderá estar ligado aos próprios tumores que preferem o açúcar como fonte de energia, mas alguns preferem-no mais que outros. Esses tumores são normalmente os que causam mais problemas. 
 
A equipa observou assim que tanto os homens como as mulheres apresentam uma menor possibilidade de sobrevivência se as células tumorais ativarem os genes associados com o consumo de açúcar, ou glicólise. 
 
Em mulheres com gordura visceral elevada e tumores com genes de glicólise muito ativos, a sobrevivência após o diagnóstico de cancro foi de uma média de dois anos. Por outro lado nenhuma das mulheres que apresentavam pouca gordura visceral e uma categoria de glicólise baixa morreu até ao fim do estudo, que teve a duração de 12 anos.
 
“Os nossos dados sugerem que existe uma potencial sinergia entre a gordura visceral de um paciente e o metabolismo do seu tumor”, concluiu Joseph Ippolito.

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Referência
Estudo publicado na revista “Radiology”

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