Cancro do pâncreas: radioterapia aumenta sobrevida?Notícias de Saúde

Quarta, 10 de Maio de 2017 | 157 Visualizações

Fonte de imagem: Cancer Tutor

Um novo estudo sugere que os pacientes com cancro do pâncreas em estado inicial podem viver mais tempo com doses elevadas de radioterapia.
 
Conduzido por uma equipa de investigadores italianos, o estudo vem contradizer estudos anteriores que indicavam que a radioterapia não ajudava os pacientes com aquele tipo de cancro.
 
Os resultados do estudo foram apresentados por Francesco Cellini, médico oncologista de radiação na Fundação Policlínical Univeresitário Fondazione Agostino Gemelli e da Universidade Católica do Sacro Cuore, Roma, Itália, na conferência da Sociedade Europeia para Radioterapia e Oncologia – ESTRO 36 em Viena, Áustria.
 
Para o estudo, a equipa estudou 514 pacientes da Europa e EUA que tinham sido diagnosticados com cancro do pâncreas num estado mais inicial, em que era possível remover os tumores por intervenção cirúrgica e não tinham sido detetadas metástases.
 
Após a intervenção cirúrgica, os pacientes receberam uma combinação de quimioterapia e radioterapia, tendo sido seguidos durante uma média de 20 meses. 
 
Os pacientes foram divididos em quatro grupos, segundo a dose de radioterapia recebida. A dose de radioterapia é calculada em gray (Gy). Os pacientes que receberam uma dose inferior a 45 Gy tiveram uma sobrevida média de 13 meses; para os que receberam entre 45 Gy e menos de 50 Gy a sobrevida média foi de 21 meses; nos que receberam entre 50 e menos de 55 Gy a sobrevida foi de 22 meses e finalmente, no grupo que recebeu entre 55 ou mais Gy, a sobrevida média foi de 28 meses.
 
Na sua apresentação Francesco Cellini comentou que “as taxas de sobrevivência do cancro do pâncreas mantêm-se muito baixas, dando-se meses em vez de anos de vida à maioria dos pacientes”.
 
“Estudos anteriores não mostraram benefícios em tratar o cancro do pâncreas com radioterapia, o que sugere que aqueles tumores são de alguma forma resistentes à radiação; no entanto, este estudo sugere que a situação apresenta mais cambiantes. Descobrimos que quanto maior for a dose, mais tempo o paciente pode sobreviver. Isto poderá indicar que nos estudos anteriores as doses simplesmente não eram altas o suficiente”, continuou.
 
O especialista indicou ainda que o padrão de aumento de sobrevida observado neste estudo sugere que os tumores do pâncreas não são resistentes à radiação, mas sim que precisam de ser tratados com a dose apropriada. 

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Referência
Estudo apresentado na conferência ESTRO 36

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