Cancro do cólon é causado por bactérias e stress celularNotícias de Saúde

Sexta, 21 de Setembro de 2018 | 35 Visualizações

Fonte de imagem: Mejor con Salud

Uma equipa de investigadores descobriu que o stress celular, juntamente com alterações no microbioma do cólon, fomenta o crescimento de tumores.
 
A descoberta foi inesperada pois considerava-se que esta combinação contribuía apenas para o desenvolvimento de doenças intestinais inflamatórias.
 
Os investigadores liderados por Dirk Haller do Centro de Ciências Weihenstephan, da Universidade Tecnológica de Munique, Alemanha, pretendiam, inicialmente, estudar a função do microbioma intestinal sobre o desenvolvimento das inflamações intestinais. 
 
“No entanto, o resultado surpreendente para nós foi a descoberta que as bactérias, juntamente com o stress nas células causava tumores (exclusivamente no cólon) sem o envolvimento de inflamação”, avançou Dirk Haller.
 
Os investigadores observaram em ratinhos sem germes (estéreis) nos quais a ativação do fator de transcrição ATF6 regulava o stress na mucosa (epitélio) intestinal, que não se deu qualquer alteração.
 
No entanto, após terem transplantado o microbioma intestinal para o cólon dos roedores (que inicialmente não tinham germes), começaram a desenvolver-se tumores (no cólon dos animais). 
 
O fator de transcrição ATF6 regula o stress celular e a intensidade e duração da ativação do mesmo aumenta perante doenças. É, contudo, a “combinação do stress e microbiota que favorece o crescimento do cancro”, reiterou Dirk Haller. 
 
Posteriormente, a equipa analisou dados relativos a 541 pacientes com cancro do cólon e descobriu que nos casos em que o nível do fator de transcrição ATF6 tinha aumentado de forma substancial, tinham também aumentado, após a cirurgia, a taxa de recidiva do cancro em cerca de 10% dos pacientes.
 
“É concebível um tratamento microbiano quando soubermos mais sobre a composição da flora bacteriana, o que se tornou agora claro, no entanto: a inflamação crónica não exerce efeitos sobre o desenvolvimento do cancro no cólon”, concluiu Haller.   

 

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Referência
Estudo publicado na revista “Gastroenterology”

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