Cancro da próstata fatal: o papel do sonoNotícias de Saúde

Sexta, 07 de Abril de 2017 | 114 Visualizações

Fonte de imagem: TOHETI

Um estudo preliminar estabeleceu uma potencial associação entre a falta de horas de sono e o cancro da próstata fatal.
 
O estudo conduzido por uma equipa de investigadores liderados por Susan Gapstur, vice-presidente de epidemiologia da Sociedade Americana do Cancro, em Atlanta, EUA, veio na sequência do “interesse cada vez maior em determinar os efeitos potenciais sobre a saúde dos fatores que perturbam os ritmos circadianos, como o trabalho por turnos e a falta de sono”.
 
Para o estudo, os investigadores contaram com dados de 823.000 homens dos EUA, que tinham sido seguidos entre 1950 e 1972 e de 1982 a 2012. Todos os homens não tinham cancro no início do estudo. Durante os períodos de monitorização, morreram mais de 10.000 homens por cancro da próstata.
 
A equipa apurou que os homens com menos de 65 anos e que dormiam apenas entre três e cinco horas por noite apresentavam uma propensão 55% superior de desenvolverem cancro da próstata fatal em comparação com os que dormiam sete horas de sono por noite.
 
Os homens que dormiam seis horas por noite apresentavam um risco de morte por cancro da próstata 29% maior comparativamente a quem dormia sete horas por noite.
 
Os homens de 65 anos ou mais de idade não demonstraram qualquer diferença no risco de morte por cancro da próstata, independentemente das horas que dormiam por noite. 
 
“Se forem confirmados noutros estudos, estes achados poderão contribuir para a evidência existente que sugere a importância de se obter um sono adequado para uma melhor saúde”, comentou a autora principal do estudo.
 
Esta descoberta contribui para evidenciar que o ciclo de dormir/despertar natural do organismo poderá desempenhar um papel no desenvolvimento do cancro da próstata. No entanto, Susan Gapstur considera que são necessários mais estudos para perceber melhor os mecanismos biológicos, sendo que os presentes achados não são suficientes para causar alarme nos homens que não dormem as horas de sono suficientes. 
 
A falta de sono pode inibir a produção de melatonina, que é uma hormona que afeta os ciclos de sono. A baixa produção de melatonina pode conduzir a um aumento nas mutações genéticas, em maiores danos oxidativos, menor reparação do ADN e um sistema imunitário debilitado, explicou a investigadora. 
 
Susan Gapstur avançou a possibilidade de os homens com 65 anos ou mais de idade, que dormem pouco, não serem afetados pelo risco de cancro da próstata devido ao declínio natural nos níveis de melatonina noturna que sucede com a idade, o que poderá fazer reduzir o impacto da falta de sono.

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