Cancro da mama: silenciamento de enzima reduz malignidadeNotícias de Saúde

Quinta, 03 de Novembro de 2016 | 21 Visualizações

Fonte de imagem: dr-altyeva.ru

Investigadores americanos descobriram os mecanismos moleculares responsáveis pela malignidade e agressividade do cancro da mama do tipo basal, dá conta um estudo publicado na revista “Cell Reports”.

O cancro da mama do tipo basal é o tipo de cancro da mama mais agressivo. Estima-se que a maioria dos cancros da mama do tipo basal, responsáveis por 20% de todos os cancros da mama, seja triplo-negativo, isto é, não apresentam recetores hormonais (estrogénio e progesterona) e HER2.

Estudos anteriores, incluindo alguns realizados pelos investigadores da Universidade de Tufts, nos EUA, já tinham apurado que o fator de transcrição Slug desempenhava um papel importante nas células tumorais do tipo basal que apresentavam frequentemente uma quantidade excessiva da proteína Slug. Adicionalmente, já se tinha verificado que a eliminação do Slug reduzia o crescimento tumoral e a agressividade do tumor. Contudo, os fatores de transcrição são muito difíceis de atingir com fármacos devido às interações complexas que estes estabelecem com outros genes e proteínas.

Neste estudo, os investigadores, liderados por Charlotte Kuperwasser, tentaram identificar novos alvos terapêuticos mais adequados, através da análise dos mecanismos moleculares que regulam a quantidade de Slug.

O estudo apurou que a SIRT2, um membro da família das enzimas sirtuínas, apresentou o efeito de estabilização mais forte. Experiências realizadas in vitro demonstraram que o silenciamento da SIRT2 conduziu a uma degradação rápida da Slug, o que enfraqueceu significativamente as características comportamentais malignas.

Na ausência da SIRT2, as células tumorais apresentam uma redução de 60% na capacidade invasora, comparativamente com as células tumorais do tipo basal normais. Esta diminuição da malignidade pode ser revertida através da introdução artificial da proteína Slug nas células, o que demonstra que há uma relação direta e necessária entre a SIRT2, a estabilidade da Slug e a malignidade.

Quando os investigadores transplantaram células cancerígenas do tipo basal depletadas da SIRt2 no modelo de ratinho para o cancro da mama, verificaram que, em média, os tumores eram 80% mais pequenos, comparativamente com as células do tipo basal normais.

Devido à presença disseminada das enzimas sirtuínas, a inibição direta da SIRT2 nos humanos pode afetar muitos outros processos celulares, sendo por isso necessários inibidores altamente específicos. Atualmente os investigadores estão a explorar possíveis inibidores eficazes e com baixa toxicidade em modelos tumorais de ratinhos.

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Referência
Estudo publicado na revista “Cell Reports”

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