Bullying na infância e o risco de doenças crónicas em adultoNotícias de Saúde

Quinta, 16 de Março de 2017 | 49 Visualizações

Fonte de imagem: Bullying in child

Um estudo de revisão apurou que as crianças vítimas de bullying poderão sofrer problemas de saúde em adultas relacionados com a exposição crónica ao stress provocado.
 
O estudo conduzido por Susannah J. Tye e colegas da Mayo Clinic, EUA, revelou que os efeitos do bullying sobre a saúde podem ser refletidos num maior risco de doença cardíaca e de diabetes na idade adulta.
 
“Outrora considerado uma experiência inócua da infância, o bullying é atualmente reconhecido como exercendo efeitos psicológicos significativos, particularmente com a exposição crónica”, explicou a investigadora.
 
O bullying nas crianças provoca também um aumento de diversos sintomas físicos, que são recorrentes e sem explicação e poderão servir como aviso. “É importante observar os processos biológicos que associam esses fenómenos psicológicos e fisiológicos, incluindo o potencial impacto dos mesmos sobre a saúde a longo-termo”. 
 
Estudos sobre outros tipos de exposição ao stress crónico sugerem que o bullying, “uma forma clássica de stress social crónico”, é preocupante na medida em que pode exercer efeitos permanentes sobre a saúde física. O stress físico ou mental continuado provoca um desgaste contínuo no organismo. Este processo, denominado carga alostática, reflete o impacto cumulativo das respostas biológicas ao stress continuado.
 
O aumento da carga alostática pode fazer com que o stress crónico provoque alterações nas respostas inflamatórias, hormonais e metabólicas. Com o tempo, essas alterações poderão contribuir para o desenvolvimento de doenças, incluindo diabetes, depressão e doença cardíaca, e para a evolução de problemas do foro psiquiátrico.
 
A exposição ao stress na infância pode afetar a forma como esses sistemas fisiológicos respondem a futuros fatores de stress. Isso pode ocorrer em parte através de alterações epigenéticas, que são mudanças na função dos genes relacionadas com a exposição ambiental e que alteram a resposta ao stress. O stress crónico pode também afetar a capacidade de a criança desenvolver competências psicológicas para desenvolver resiliência, reduzindo a sua capacidade de lidar com o stress no futuro.
 
Os investigadores ressalvam que apesar de não terem estabelecido uma relação de causa e efeito, mais estudos poderão permitir perceber e potencialmente intervir na relação entre o bullying durante a infância e a saúde no longo-termo.
 
“Encorajamos que os profissionais de saúde das crianças avaliem os efeitos físicos e mentais do bullying para a saúde”, conclui Susannah Tye.

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Referência
Estudo publicado na revista “Harvard Review of Psychiatry”