Brasil a caminho da erradicação das hepatites B e CNotícias de Saúde

Terça, 07 de Novembro de 2017 | 31 Visualizações

Fonte de imagem: City of Hope

Apenas nove países estão no rumo certo, delineado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para erradicar a Hepatite C até 2030. São eles o Brasil, Alemanha, Islândia, Japão, Holanda Austrália, Egito, Geórgia e Catar.

 

O anúncio foi feito em São Paulo, no âmbito do World Hepatitis Summit, que decorreu entre os dias 1 e 3 três do corrente. Entre as metas estabelecidas pela OMS em 2016 estão a redução de 90% de novos casos de hepatites B e C, e redução de mortalidade de 65% para hepatite B e C até 2030, noticiou o portal Medscape.

Países como Estados Unidos e Grã-Bretanha não alcançaram as metas propostas. Os dados são do Polaris Observatory, um centro de dados que fornece informações epidemiológicas sobre as hepatites B, C e D para o Center for Disease Analysis Foundation (CADF), instituição com sede no no Colorado, especializada em epidemiologia e simulação de doenças.

Entre as causas para que os demais países não acompanhem o mesmo ritmo estão a falta de iniciativa política e de meios de financiamento globais para erradicar essas doenças, falhas na vigilância epidemiológica, dificuldade de acesso a diagnóstico e medicação, e a inexistência de diagnóstico. Em termos globais apenas 10% dos casos de hepatite B são diagnosticados, um índice que chega a 20% na hepatite C. Em todo o planeta, as hepatites virais matam cerca de um milhão de pessoas todos os anos, e mais de 300 milhões estão cronicamente infetadas com os vírus B ou C, para os quais já existe tratamento eficaz, com duração de três meses e sem efeitos colaterais. A maior cobertura vacinal contra hepatite B, o tratamento da infeção, e a possibilidade de erradicação das hepatites virais entusiasma especialistas.

“Os novos dados mostram que a erradicação da hepatite C é possível,” afirmou em comunicado à imprensa Charles Gore, presidente da World Hepatitis Alliance (WHA), que organizou o evento de São Paulo em parceria com a OMS. A WHA é uma ONG que reúne 252 grupos de doentes originários de 84 países.
De acordo com dados do Ministério da Saúde brasileiro, com apoio do Polaris Observatory e por meio de parceria com a Organização Panamericana de Saúde (Opas), o Brasil tem hoje 657 mil pacientes com hepatite C precisando de tratamento, um número muito inferior ao das estimativas anteriores, que apontavam para 1,6 milhão.

“Isso torna o nosso projeto de erradicação mais fácil de executar, tanto em termos de custos do tratamento, quanto no lado mais prático, de fornecer atendimento a todos eles”, afirmou o ministro da Saúde, Ricardo Barros, no mesmo comunicado. Além disso, o governo brasileiro está levantando gradativamente as restrições para o tratamento da hepatite C, que anteriormente só era oferecido aos pacientes com quadros mais graves como de cirrose ou fibrose. A partir de 2018, as autoridades brasileiras decidiram alargar o acesso aos medicamentos a todos os doentes, independentemente do seu quadro clínico. As novas drogas antivirais, na maioria dos casos, curam o paciente em três meses e têm pouco ou nenhum efeito colateral. Atualmente, dos 155 mil pacientes notificados, metade já foi tratada ou está em tratamento. Além disso, o Brasil irá realizar um diagnóstico a toda a população. O Ministério da Saúde brasileiro conta distribuir em 2018 o dobro de testes que distribuímos este ano. Serão 12 milhões de testes para diagnóstico da doença”, ressaltou o ministro da Saúde do Brasil, Ricardo Barros.

Graças a este alargamento da cobertura de diagnóstico, o governo brasileiro pode negociar uma grande redução no preço da medicação. O objetivo do governo é agora o de atender 50 mil doentes por ano, reduzindo esse número gradualmente até 2030. Outra meta definida pelas autoridades brasileiras é a de adotar novas iniciativas para testar o maior número de pessoas possível para a hepatite C.

“O Brasil está determinado a ser uma liderança mundial na luta contra a hepatite C, assim como vem sendo no combate à epidemia de SIDA” disse a Dra. Adele Benzaken, diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das infeções sexualmente transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais (DIAHV).

“O plano que anunciamos significa que, em 2030, a hepatite C não vai mais ser uma ameaça à saúde pública no Brasil, “continuou. O país testa doações de sangue para o vírus da hepatite C desde 1993, e oferece vacinação gratuita para a hepatite B para a população de qualquer idade.

Os EUA e a epidemia de opióides
Em termos mundiais, apenas um em cada cinco pacientes sabe que é portador da doença, o que significa que apenas 14 milhões entre as 69 milhões de pessoas infetadas sabem que têm a doença. O índice varia de 44% nos países ricos para apenas 9% nos países mais pobres. Nos Estados Unidos, esse índice é de 55% de um total estimado em 2,7 milhões de infetados pelo vírus da hepatite C, o que contribui para o aumento das taxas de contaminação e para a baixa eficiência do tratamento, que é restrito. Segundo os especialistas reunidos em São Paulo, dificilmente os americanos vão cumprir as metas da OMS e até mesmo aquelas estabelecidas no ano passado pelo National Viral Hepatitis Action Plan 2017-2020. E, ainda pior, a epidemia de opióides deve provocar uma escalada no número de novos caso da doença.

Cerca de 23 mil pessoas morreram de hepatite C nos EUA em 2016. Um número que tem vindo a aumentar, basicamente porque não são feitos testes de rotina para detetar a doença, que é assintomática e pode causar cirrose, insuficiência hepática e cancro do fígado, a longo prazo. Alguns estados americanos apresentam taxas de diagnóstico acima da média nacional de 55%, como é o caso de Rhode Island (60%), Ohio (61%), Louisiana (64%), Califórnia (71%), Washington (76%) e Nova York (81%). De acordo com o Dr. Homie Razavi, que dirige o Center for Disease Analysis Foundation, um dos problemas nos estados Unidos, é que, apesar de serem diagnosticados, os pacientes não são encaminhados para tratamento.

“Entre os motivos está o fato de em 2/3 dos Estados americanos os programas do Medicaid (seguro de saúde pago pelo governo americano a cidadãos de baixa renda) terem sido limitados aos pacientes em estágio avançado da doença, inviabilizando o acesso a tratamento aos doentes que não têm plano de saúde privado. Além disso, como não há sintomas, muitos pacientes e até médicos não priorizam o tratamento, permitindo que a doença avance. E há ainda os que não têm nenhum acesso a sistemas de saúde, incluindo utilizadores de drogas injetáveis, inclusive as vítimas da epidemia de opióides”, afirmou o especialista.

Os EUA trataram cerca de 256 mil pacientes em 2015, e 230 mil em 2016. Mas as projeções do Polaris indicam que esses números devem cair para cerca de 130 mil se não forem adotadas novas estratégias para estimular a deteção e o tratamento da hepatite C. Para alcançar as metas fixadas pela OMS, os EUA deveriam manter o número de doentes em tratamento em torno de 250 mil por ano até 2030. Os EUA também não devem atingir a própria meta ambiciosa de reduzir em 60% os novos casos de hepatite B e C até 2020.

De acordo com os Centers for Disease Control and Prevetion (CDC), em Atlanta, houve um aumento de 250% nos novos casos de hepatite C entre 2010 e 2014, e os casos notificados atingiram o maior pico em 15 anos. As projeções do Polaris sugerem que 38 mil pessoas contraíram a doença somente em 2016.

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