Birras: a culpa é das bactériasNotícias de Saúde

Segunda, 01 de Junho de 2015 | 47 Visualizações

Da próxima vez que a sua criança iniciar uma birra de proporções épicas, não culpe o cansaço, a falta de sesta, o mimo ou mesmo a tentativa de alargar as fronteiras do que lhe é permitido. Se calhar, as grandes responsáveis pelo choro, grito e ranger de dentes são as caraterísticas da flora intestinal. Ou, por outras palavras, as bactérias.

Uma equipa médica da Universidade Estadual do Ohio (EUA) estou as caraterísticas bacterianas intestinais de crianças entre os 18 e os 27 meses e descobriu que a abundância ou diversidade de algumas espécies pode influenciar o comportamento, especialmente no caso dos rapazes. E isto acontece independentemente do historial de amamentação, a dieta e o tipo de parto – circunstâncias que influenciam a fauna do intestino.

Os investigadores afirmam que não estavam à procura de ajudar os pais a ultrapassarem a fase das birras, também designada como “terrible twos”, mas sim a encontrar pistas sobre a forma como algumas doenças crónicas (obesidade, asma, alergias) se desenvolvem.

“Existem provas substanciais de que as bactérias intestinais interagem com as hormonas do stresse, que por sua vez estão implicadas em patologias crónicas”, afirma Lisa Christian, uma das investigadoras. “O comportamento das crianças até aos três anos dá-nos uma boa ideia da forma como gerem o stresse. Esta informação, combinada com uma análise à fauna intestinal, poderá servir para prevenir o aparecimento futuro de algumas dessas doenças”, acrescenta.

Por sua vez, o microbiólogo Michael Bailey, co-autor do trabalho, estudou amostras de 77 crianças e descobriu que as com maior diversidade de bactérias intestinais exibiam, em maior número, comportamentos relacionados com personalidade otimista, curiosidade, sociabilidade e impulsividade. No caso específico dos rapazes, os investigadores reportaram que traços de personalidade extrovertida estavam relacionados com a abundância de vários tipos de micróbios: rikenellaceae, ruminococcaceae, dialister e parabacteroides.

“Há definitivamente comunicação entre as bactérias intestinais e o cérebro, mas não sabemos quem inicia a conversa”, admite Michael Bailey. “Talvez as crianças extrovertidas têm menos bactérias ligadas ao stresse do que as tímidas. Ou talvez as bactérias ajudem a mitigar a produção de hormonas do stresse. Ou pode ser uma combinação de ambos os fenómenos”, admite, adiantando que a equipa vai continuar a estudar esta relação.

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