Bipolaridade em crianças: Fatores de risco e sintomasNotícias de Saúde

Quarta, 20 de Dezembro de 2017 | 260 Visualizações

Fonte de imagem: emedicalnews

O distúrbio bipolar é uma doença mental que se caracteriza por alterações extremas de humor e pensamento. Apesar de se desencadear normalmente durante o início da idade adulta, as crianças e os jovens não estão livres do diagnóstico.

Fatores de risco

À semelhança de vários distúrbios de saúde mental, existe um grande número de potenciais causas para a bipolaridade. Os especialistas não conseguem precisar apenas uma única razão que origine este distúrbio. Pensa-se que os fatores que colocam as crianças em risco são o stress, a genética, o uso de álcool e drogas e a biologia.

O stress pode ter um papel do desenvolvimento do distúrbio bipolar em crianças. Mais concretamente, através da forma como uma criança reage a uma situação de elevado stress, pode perceber-se qual o risco de desenvolver este distúrbio. Consequentemente, crianças que vivam situações extremamente stressantes podem estar sujeitas a um maior risco.

No que diz respeito à genética, sabe-se que se houver um familiar com a doença, existe maior probabilidade de a criança a desenvolver. Contudo, alguns estudos indicam que esta não é uma situação de causa-efeito definitiva. Uma criança com pais bipolares pode nunca desenvolver a doença.

O consumo de álcool e drogas pode aumentar as hipóteses de a criança vir a desenvolver o distúrbio bipolar, uma vez que esta patologia está muitas vezes associada à adição a estas substâncias.

As diferenças biológicas constituem também um fator de risco, depois de investigadores terem descoberto que existem diferenças na atividafe cerebral das crianças e adultos que sofram de bipolaridade.

Sintomas

Os sintomas variam de pessoa para pessoa. Alguns podem ter sintomas em diferentes graus e os mesmos podem alterar-se ao longo do tempo. Durante episódios hipomaníacos maníacos ou menos graves, uma pessoa experimenta um alto nível de humor e energia.

Estes sintomas devem estar associados a três dos seguintes:

  • aumento da energia e da atividade
  • falar de forma invulgar
  • humor anormalmente positivo
  • aumento da distração
  • reações nervosas
  • aumento da sensação de auto-estima e confiança
  • dimuição da necessidade de dormir ou incapacidade de dormir
  • pensamentos descontrolados e rápidos
  • má tomada de decisão

Durante períodos depressivos, a pessoa experiencia uma quebra extrema. Os sintomas de episódios depressivos devem incluir pelo menos cinco dos seguintes:

  • dormir demasiado ou insónia
  • sentimento de tristeza, vazio e vontade de chorar
  • sentimento de incapacidade
  • sentimento de culpa
  • comportamento lento
  • falta de interesse em atividades, incluindo aquelas que normalmente gostava
  • oscilações no peso
  • diminuição ou aumento do apetite
  • inquietação
  • cansaço
  • falta de energia
  • pensamentos ou tendências suicidas
  • diminuição da capacidade de concentração

As crianças podem também apresentar sintomas de irritabilidade, raiva e podem não alcançar certos marcos a nível físico, como a altura e o peso normais da idade.

Estes sintomas são, muitas vezes difíceis de identificar, uma vez que as crianças e adolescentes passam por várias fases normais de variação de humor. O stress e o trauma podem também originar sintomas semelhantes aos da bipolaridade, tal como várias outras doenças mentais.

Patologias coexistentes nas crianças

É comum que uma criança tenha mais doenças mentais associadas ao distúrbio bipolar. Em alguns casos, aquilo que acontece é que estas doenças agravam os sintomas da bipolaridade, o que torna o tratamento menos eficaz.

Podem coexistir com o distúrbio bipolar:

  • transtorno de ansiedade
  • distúrbios alimentares
  • dependência de drogas ou álcool
  • problemas de coração e obesidade
  • défice de atenção/hiperatividade
  • autismo

Diagnóstico

O diagnóstico é especialmente difícil nas crianças. Os sintomas de altos e baixos são muitas vezes “avaliados” pelos pais, professores e cuidadores como partes normais do desenvolvimento. Para que seja feito o diagnóstico é necessário analisar os sintomas relativos à mania e hipomania e aos estados depressivos e, de seguida, inseri-los num dos tipos de bipolaridade.

Existem vários tipos de bipolaridade e cada um tem o seu próprio critério de diagnóstico:

O distúrbio bipolar I caracteriza-se pela ocorrência de um episódio maníaco que seja precedido ou seguido de um episódio hipomaníaco ou depressivo. Em alguns casos, as crianças podem experienciar psicose ou um afastamento da realidade.

O distúrbio bipolar II é diagnosticado quando existe pelo menos um grande episódio depressivo e pelo menos um episódio hipomaníaco. Neste tipo, não existem episódios maníacos.

O transtorno ciclotímico ocorre quando a existem vários episódios de sintomas de hipomania e vários períodos depressivos ao longo de pelos menos dois anos. Nas crianças, o período é encurtado para um ano.

Outros tipos incluem períodos de mania ou episódios depressivos induzidos pelo uso de substâncias ou outras condições, como é o exemplo do consumo excessivo de álcool e a esclerose múltipla, que pode causar uma reação bipolar.

Como apoiar a criança

Ajudar uma criança bipolar pode ser, por vezes, frustrante e difícil. É importante garantir um ambiente estável nutritivo para que as crianças se sintam seguras.

Para isso, os pais e cuidadores devem considerar alguns aspetos:

  • ser paciente e compreensivo durante as alterações de humor
  • procurar e seguir o tratamento
  • promover a comunicação, fazendo perguntas e ouvindo a a criança
  • encorajar e ser positivo nos trataementos
  • ajudar as crianças a divertirem-se
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Referência
MNT/SF