Bilingues têm menor declínio cognitivoNotícias de Saúde

Quarta, 04 de Junho de 2014 | 53 Visualizações

Os indivíduos que falam duas ou mais línguas, mesmo que que a segunda língua seja adquirida na idade adulta, podem apresentar um abrandamento no declínio cognitivo associado à idade, defende um estudo publicado nos “Annals of Neurology”.

Acredita-se que o bilinguismo melhora a função cognitiva e atrasa a demência nos idosos. Apesar de algumas investigações anteriores terem analisado o impacto da aprendizagem de mais de um idioma, a pergunta crucial é se a função cognitiva é melhorada devido à aprendizagem de uma nova língua, ou se os indivíduos com melhores funções cognitivas são os mais propensos a ser bilingues.

“O nosso estudo é o primeiro a analisar se a aprendizagem de uma segunda língua tem impacto no desempenho cognitivo mais tarde na vida”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Thomas Bak.

Neste estudo os investigadores da Universidade de Edimburgo, na Escócia, contaram com a participação de 835 nativos na língua inglesa. Os participantes foram submetidos a um teste de inteligência aos 11 anos e quando tinham cerca de 70 anos. Um total de 262 indivíduos disse ser capaz de falar pelo menos mais uma língua para além do inglês. Desses, 195 tinha aprendido o segundo idioma antes dos 18 anos e 65 aprendeu-a após essa idade.

O estudo apurou que os indivíduos que falavam duas ou mais línguas apresentaram melhores capacidades cognitivas comparativamente àquilo que era esperado. Os efeitos mais evidentes foram observados na inteligência em geral e na leitura. O efeito benéfico da aprendizagem de uma segunda língua foi observado independentemente do facto de o segundo idioma ter sido aprendido antes ou depois dos 18 anos.

“Estes resultados têm uma grande importância prática. Milhões de pessoas, em todo o mundo, aprendem um segundo idioma mais tarde na vida. O nosso estudo demonstrou que o bilinguismo, mesmo que adquirido na idade adulta, pode ter um efeito benéfico no cérebro durante o envelhecimento”, conclui Thomas Bak.

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Autor
Alert Science
Referência
Estudo publicado nos “Annals of Neurology”