Autismo, hiperatividade e perturbação obsessivo-compulsiva: o que têm em comum?Notícias de Saúde

Sexta, 05 de Agosto de 2016 | 801 Visualizações

Fonte de imagem: vittude

Investigadores do Canadá encontraram semelhanças nas incapacidades cerebrais em crianças com perturbações do espectro autista, perturbação de hiperatividade com défice de atenção (HDA) e perturbação obsessivo-compulsiva, revela um estudo publicado no “American Journal of Psychiatry”.

Para o estudo, os investigadores do Centro para a Adição e Saúde Mental, no Canadá, avaliaram imagens cerebrais da substância branca de 200 crianças com autismo, HDA e perturbação obsessivo-compulsiva. A substância branca é composta por feixes de fibras nervosas que ligam os corpos celulares em todo o cérebro, e permite a comunicação entre diferentes regiões do cérebro.

Os investigadores encontraram, comparativamente com as crianças saudáveis, deficiências na substância branca no trato principal, que liga os hemisférios direito e esquerdo do cérebro das crianças com autismo, HDA e perturbação obsessivo-compulsiva. Este trato, o corpo caloso, é o maior no cérebro e é dos primeiros a desenvolver-se.

O estudo, liderado por Evdokia Anagnostou, também apurou que as crianças com autismo e HDA apresentavam deficiências mais graves que afetavam mais a substância branca, do que aquelas com perturbação obsessivo-compulsiva. 

Stephanie Ameis, a primeira autora do estudo, refere que estes achados podem refletir o facto de tanto o autismo como a HDA terem início em idades mais precoces do que a perturbação obsessivo-compulsiva, num altura em que vários dos diferentes tratos da substância branca passam por um rápido desenvolvimento.

O autismo, a HDA e a perturbação obsessivo-compulsiva têm sintomas comuns e estão ligadas por alguns dos mesmos genes. No entanto, até à data, estas condições, que afetam cerca de 15% das crianças e jovens, têm sido estudadas como doenças separadas.

Muitos dos comportamentos que contribuem para a deficiência no autismo, HDA e perturbação obsessivo-compulsiva, como problemas de atenção e dificuldades na socialização, ocorrem nas três condições, sendo que a sua gravidade depende de indivíduo para indivíduo. No estudo, os investigadores verificaram que a estrutura da substância branca estava associada a um espectro de sintomas comportamentais presente em todos estas condições. 

A cientista refere que as crianças com deficiências mais graves também apresentavam mais dificuldades na vida quotidiana. 

Ao fornecer evidência biológica de que a estrutura do cérebro está relacionada com um espectro de sintomas comportamentais comuns a diferentes condições do desenvolvimento, este estudo realça a biologia comum a estas condições. Estas evidências também sugerem que os tratamentos que tenham por alvo um espetro de comportamentos podem ser relevantes para as três condições.  

Partilhar esta notícia
Referência
Estudo publicado no “American Journal of Psychiatry”

Notícias Relacionadas

Info-Saúde Relacionados