As doenças reumáticas afetam maioria dos portugueses e custam 204 milhões de eurosNotícias de Saúde

Terça, 23 de Setembro de 2014 | 115 Visualizações

Mais de metade da população adulta sofre de uma doença reumática, mas três em cada dez nem sequer o sabem. Por ano, os dias de trabalho perdidos devido à doença representam um custo de 204 milhões de euros. Estas são as principais conclusões do estudo EpiReumaPt.

As conclusões do EpiReumaPt, o primeiro estudo sobre as doenças reumáticas em Portugal, são dolorosas: mais de metade da população adulta sofre de pelo menos um mal deste tipo, mas três em cada dez desconhecem sequer que estão doentes.

Os resultados do estudo, coordenado pela Sociedade Portuguesa de Reumatologia e que recebeu financiamento da Direção-Geral de Saúde, demonstram ainda que as doenças reumáticas são as patologias crónicas que mais prejudicam a qualidade de vida aos portugueses.

Os dados mostraram que 56 por cento dos portugueses têm pelo menos uma das várias doenças reumáticas. “É muito prevalente na população portuguesa, mais no sexo feminino”, acrescentou Jaime Branco, o investigador que coordenou o estudo, acrescentando: “as doenças reumáticas são as que mais prejudicam a qualidade de vida das pessoas. São muito lesivas e incapacitam muito”.

Uma incapacidade que pode ser medida em euros quando convertida em dias de absentismo. Os dias de trabalho perdidos devido às doenças reumáticas têm um valor estimado de 204 milhões de euros.

“Estes doentes têm mais internamentos e necessitam de mais cuidados domiciliários do que outros. A maioria não sabe que tem uma doença reumática e atribui a maleita ao envelhecimento quando já temos armas terapêuticas para os doentes passarem bem”, reforçou o especialista.

Um dos resultados mais preocupantes é o desconhecimento dos próprios doentes, com três em cada dez a não saberem que possuem uma destas patologias reumáticas. “Muitas destas doenças são silenciosas, como a osteoporose”, argumentou Jaime Branco: “as  pessoas só descobrem quando têm uma fratura. Com as artroses acontece o mesmo. Numa fase precoce, a doença não é identificada”.

O problema com o diagnóstico tardio foi confirmado logo na fase de inquérito. O estudo, que decorreu durante mais de dois anos, começou com perguntas à população sobre as 12 doenças reumáticas. A grande maioria não associa as dores crónicas em articulações, músculos ou ossos com uma doença reumática.

“As pessoas apresentam queixas, mas não sabem identificar a causa dos sintomas. Quando questionadas, não mencionam que têm este tipo de doença”, adiantou o investigador.
A lombalgia é a patologia mais comum, seguida pela patologia periarticular (como uma tendinite) e pela osteoartrose do joelho. 

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Referência
EpiReumaPt