As alterações climáticas têm consequências negativas na saúdeNotícias de Saúde

Quarta, 07 de Junho de 2017 | 8 Visualizações

Fonte de imagem: Huffingtonpost

O presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna defendeu a mobilização de todos para enfrentar as alterações climáticas, realçando a sensibilização dos profissionais de saúde, setor que deve ser um exemplo na redução das emissões e do lixo, anunciou a agência Lusa.
 
A atuação tem de ser "a vários níveis e em simultâneo", salientou Luis Campos, apontando a necessidade de medidas que diminuam o impacto da emissão de gases com efeito de estufa, e que "o setor da saúde seja um exemplo de compromisso com a proteção do ambiente".
 
"Temos de mobilizar toda a sociedade, não só o setor da saúde, mas todos os outros, para uma resposta mais eficaz perante a evolução das doenças [associadas à mudança do clima]", para proteger as populações mais vulneráveis, que "já estão a ser afetadas por estas alterações" climáticas, afirmou.
 
As alterações climáticas têm consequências na saúde, principalmente nos grupos mais vulneráveis, como os idosos, as crianças, grávidas, pessoas incapacitadas, pessoas com debilidade económica, ou sem abrigo.
 
Luís Campos lembrou que em 2013 o tempo quente em Portugal "produziu um excesso de 1.700 mortes e isso tem a ver com os efeitos diretos do calor".
 
Com as mudanças do clima, "há aumento das doenças cardíacas, nomeadamente do acidente vascular cerebral (AVC) e da doença isquémica do coração, não só pelo aquecimento, mas também pela concentração de ozono", apontou. O especialista referiu também as pulmonares devido à poluição atmosférica, como a doença pulmonar obstrutiva crónica e as alergias, que "estão a aumentar muito".
 
Com o aumento da temperatura, as doenças infeciosas, transmitidas através de mosquitos, como a malária ou a febre dengue, começam a aparecer em áreas geográficas que ficam agora mais quentes.
 
Luís Campos refere ainda as doenças relacionadas com a qualidade da água, como a cólera, e com a fome e desnutrição, além de doenças mentais, provocadas pelas alterações como as migrações ou as mortes violentas, resultantes de catástrofes naturais.
 
O especialista recordou que, em Portugal os hospitais são responsáveis por 11% do consumo de eletricidade e 18% do gás natural e produzem 108 mil toneladas de resíduos. "Cada médico, cada profissional de saúde, tem de ser um exemplo de adesão a comportamentos que diminuem os fatores que causam aquecimento global", defendeu.

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