Aprender a desempenhar papel de pais causa maior stress do que ambiente hospitalarNotícias de Saúde

Terça, 21 de Abril de 2015 | 39 Visualizações

Aprender a cuidar de um bebé prematuro revela ser uma alteração mais perturbadora para os pais do que o ambiente nos cuidados intensivos do hospital, conclui um estudo levado a cabo pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).
 
Mais do que a aparência e o comportamento do bebé, ou os materiais, sons e imagens nos Cuidados Intensivos do hospital, aquilo que mais perturba os pais de um bebé prematuro são as “alterações nos papéis parentais”, revela Susana Silva, investigadora responsável pelo estudo, em entrevista telefónica à Lusa.
 
Outro resultado destacado pelo estudo é que os pais “valorizam a confiança e a segurança nos cuidados de saúde”, a “proximidade física e emocional com as crianças” e as “necessidades de informação”, deixando para segundo plano o seu “próprio conforto e o suporte social”, acrescenta a especialista.
 
O estudo parte do “interesse em conhecer a perspetiva dos pais das crianças muito pré-termo na organização dos cuidados e nas intervenções em saúde em unidades de cuidados intensivos neonatais”, explica a socióloga Susana Silva.
 
Esta investigação revela ainda que mães e pais defendem a promoção da igualdade de género e no acesso a cuidados, propondo a criação de condições que facilitem a presença masculina na Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais (UCIN).
 
“Ter pelo menos um subsídio a 100% durante o período de internamento hospitalar”, “ incluir a prematuridade como um ponderador na fórmula de cálculo do abono de família e na extensão do número de dias do subsídio para assistência a filho” e promover a “comparticipação dos leites e acesso gratuito a todas as vacinas aconselháveis para prematuros” são outros dos desejos dos progenitores com filhos prematuros.
 
O estudo, intitulado “Papéis parentais e conhecimento em unidades de cuidados intensivos neonatais”, incluiu um inquérito com 211 mães e pais e entrevistas qualitativas a 41 destes casais entre julho de 2013 e julho de 2014.

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Referência
Estudo da Universidade do Porto

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