Apenas metade das mulheres portuguesas toma ácido fólico antes de engravidarNotícias de Saúde

Sexta, 02 de Fevereiro de 2018 | 29 Visualizações

Fonte de imagem: Harvard Health

Adesão a medida preventiva dos defeitos do tubo neural «abaixo» do recomendado

A maioria das grávidas portuguesas toma ácido fólico durante o primeiro trimestre da gravidez, mas apenas cerca de metade inicia a sua toma antes de engravidar, o que revela uma adesão a esta medida preventiva «abaixo» do recomendado.

Este é o principal resultado de um estudo preliminar elaborado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (Insa), através do seu Departamento de Epidemiologia, que teve como objetivo estimar a frequência de grávidas que iniciaram a suplementação de ácido fólico antes da gravidez e caracterizar a sua toma. 
Segundo os autores, «a suplementação no primeiro trimestre da gravidez foi referida por 90,8% das mulheres e iniciada antes da gravidez por 45,2% destas mulheres».

«Apesar de a adesão ser ainda inferior ao recomendado, comparativamente aos resultados apurados pela Rede Médicos-Sentinela em 2005, observa-se uma melhoria na frequência de mulheres que inicia esta medida preventiva no período pré-concecional», consideram os investigadores.

Para o trabalho, intitulado «Prevenção primária dos defeitos do tubo neural – adesão à toma de ácido fólico: resultados preliminares da Rede Médicos-Sentinela», foram selecionadas 446 mulheres grávidas e em seguimento na Rede Médicos-Sentinela, independentemente da sua idade gestacional, entre janeiro e outubro de 2017. 

O trabalho de investigação será prolongado durante este ano de 2018, de modo a obter uma amostra que «permita uma analise mais robusta das características sociodemográficas das mulheres e sua relação com a adesão à toma de ácido fólico», lê-se na publicação.

Recorde-se que os defeitos do tubo neural (DTN), conjunto de anomalias congénitas que incluem a anencefalia, a espinha bífida e o encefalocelo, resultam do deficiente encerramento do tubo neural e ocorrem até ao 28.º dia de vida fetal, período em que muitas mulheres ainda não sabem que estão grávidas.
 
A maioria das grávidas portuguesas toma ácido fólico durante o primeiro trimestre da gravidez, mas apenas cerca de metade inicia a sua toma antes de engravidar, o que revela uma adesão a esta medida preventiva «abaixo» do recomendado 

A prevenção primária dos DTN é possível pela suplementação de ácido fólico, referindo a literatura que a utilização diária de 400 microgramas desta vitamina, com início antes da gravidez e até ao fim do primeiro trimestre, previne a primeira ocorrência de DTN assim como o risco de recorrência.

O artigo de Paula Braz, Ausenda Machado, Ana Paula Rodrigues e José Augusto Simões foi publicado no Boletim Epidemiológico Observações do Insa e pode ser consultado na íntegra, aqui

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Referência
Univadis