Aparelho inovador permite controlar bexigaNotícias de Saúde

Quarta, 13 de Novembro de 2013 | 2316 Visualizações

Tratamento inovador controla disfunções da bexiga

É um aparelho que estimula as raízes nervosas sagradas (junto à coluna) através de impulsos elétricos. O objetivo é controlar a bexiga e até os intestinos, para tratar a incontinência ou retenção urinária e ainda a incontinência fecal. O dispositivo inovador já está a ser usado, desde o ano passado, no Hospital de Santo António, no Porto, e no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. A taxa de sucesso ronda os 80 por cento.

A técnica chama-se neuromodulação das raízes sagradas e pretende reduzir o número de episódios de perda urinária ou fecal e de micções diárias, dando qualidade de vida ao paciente.

O neuroestimulador é implantado cirurgicamente sob a pele, na zona lombar, através de um procedimento minimamente invasivo. Numa primeira fase é feita uma cirurgia para se porem os elétrodos. Ao fim de duas ou três semanas, o doente é sujeito a uma segunda cirurgia, onde é introduzido o aparelho. Nem todos podem ser submetidos a esta técnica: só aqueles que já fizeram tratamentos (remédios e cirurgias) que não resultaram.

"É feito em regime de ambulatório, com anestesia local. São colocados os elétrodos nas raízes sagradas (no fundo das costas) para estimular os nervos (por isso é que o doente tem de ficar acordado), que vão regularizar a sensibilidade e a enervação da bexiga. Estes implantes regularizam os circuitos nervosos. O doente não sente dor e, de seguida, vai para a enfermaria", explicou ao Correio da Manhã Avelino Fraga, diretor do serviço de Urologia do Hospital de Santo António.

Desde outubro de 2012, quando se começou a usar a técnica neste hospital, já foram tratados 12 doentes. Os resultados "têm sido semelhantes aos melhores centros do Mundo: uma taxa de sucesso de 80 por cento". "Tivemos uma doente com incontinência fecal e urinária. Não teve um resultado 100% à urinária, mas à fecal sim. Tivemos também um doente de Loulé que nos procurou porque não conseguia urinar e tinha insuficiência renal associada a uma incontinência grave, com uso de quatro fraldas por dia", explicou o responsável.

O facto de o dispositivo poder ser utilizado para várias patologias é confirmado pela doente Flora Paiva. "Ajudou-me no síndrome de cólon irritado. Umas vezes está melhor para a parte intestinal, outras para a bexiga", contou a primeira paciente a ser submetida a esta técnica no Santo António. E, além dos condicionalismos típicos de uma cirurgia, só há um ‘inconveniente'. "Não posso ter o aparelho ligado quando faço outros exames".

Cada aparelho custa 12 mil €

A técnica é minimamente invasiva e, em si, não é especialmente cara. Mas cada neuromodulador, que a empresa Medtronic fornece aos dois hospitais a implementar a técnica e que vem acompanhado de um comando, custa 12 mil euros.

Incontinência por urgência

É um desejo urgente de urinar seguido de uma perda incontrolável de urina, e associa-se a um aumento da frequência urinária. A bexiga contrai-se inadvertidamente e, por vezes, tem baixa capacidade.

"Estive dois anos a usar algálias"

Flora Paiva, de 45 anos, descobriu há sete anos que tinha bexiga hipotónica. "A bexiga não funcionava. Só sentia a bexiga cheia, mas não tinha vontade nem necessidade. Até que fiz muita retenção e comecei a inchar cada vez mais. O meu médico de família mandou-me para a urgência do Hospital de Santo António", explicou.

A mulher esteve com um cateter durante duas semanas ,mas não melhorou. Voltou à urgência e submeteu-se a diversos exames para saber o que tinha. "Continuei sempre com infeções horríveis. Estive oito meses em casa pelo incómodo de ter a algália, pelas dores das infeções e por estar muito inchada, não havia roupa que me servisse", lembrou Flora.

Esteve quase dois anos a meter algálias descartáveis, "para remediar", até que foi chamada para a cirurgia inovadora em setembro do ano passado. "Num mês, as coisas resolveram-se. É uma qualidade de vida completamente diferente. Fui operada de manhã e ao fim do dia consegui fazer cerca de 900 mililitros. Ao segundo dia pensei que tinha ‘mingado'. Estou super feliz. De vez em quando venho ao hospital afinar", diz, acrescentando que o dispositivo até a ajudou no síndrome do cólon irritado, de que também sofre.

Banco da Saúde

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Autor
CM
Referência
Hospital de Santo António, no Porto / Hospital de Santa Maria, em Lisboa.