Antibióticos comuns associados a maior risco de aborto espontâneoNotícias de Saúde

Quinta, 04 de Maio de 2017 | 1207 Visualizações

Fonte de imagem: Medscape

Uma equipa de investigadores descobriu que o uso de antibióticos comuns durante a gestação pode fazer aumentar o risco de aborto espontâneo.
 
Num estudo conduzido pela Faculdade de Farmácia da Universidade de Montreal, Quebeque, Canadá, foi estabelecida uma associação entre a toma de macrólidos, quinolonas, tetraciclinas, sulfonamidas e metronidazol e um maior risco de aborto espontâneo no início da gravidez. A eritromicina e a nitrofurantoína não foram, no entanto, associadas ao risco de aborto espontâneo.
 
A equipa liderada por Anick Bérard teve por base a análise de dados provenientes da Coorte de Gravidez do Quebeque (“Quebec Pregnancy Cohort”) entre 1998 e 2009. Para este estudo, a equipa identificou 8.702 casos, clinicamente detetados como sendo abortos espontâneos, e comparados com um grupo de controlo de 87.020 gravidezes.
 
O tempo mediano de gestação na altura do aborto espontâneo era de 14 semanas. Em 1.428 (16,4%) dos casos tinha havido exposição a antibióticos no início da gravidez, em comparação com 11.018 (12,6%) dos controlos.
 
As participantes tinham idades compreendidas entre os 15 e os 45 anos. As mulheres que sofreram os abortos espontâneos eram tendencialmente mais velhas, viviam sozinhas e apresentavam múltiplos problemas de saúde e infeções, fatores que foram tidos em consideração no estudo.
 
“As infeções são prevalentes durante a gravidez” adiantou Anick Bérard. “Embora o uso de antibióticos para tratar as infeções tenha sido associado a um menor risco de prematuridade e de baixo peso à nascença, a nossa investigação demonstra que certos tipos de antibióticos fazem aumentar o risco de aborto espontâneo, com um risco aumentado de 60% ao dobro”, acrescentou.
 
A especialista acrescentou ainda que considerando que o risco de aborto espontâneo pode chegar aos 30%, os achados deste estudo são significativos. Os autores do estudo consideram ainda que os achados poderão ser úteis para a atualização das linhas orientadoras para o tratamento de infeções durante a gravidez.

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Referência
Estudo publicado na revista “Canadian Medical Association Journal”

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