Antibióticos: a resistência bacteriana é bem avaliada?Notícias de Saúde

Terça, 06 de Junho de 2017 | 20 Visualizações

Fonte de imagem: Harvard Health Publications

Uma equipa de investigadores desenvolveu um novo teste de sensibilidade aos antimicrobianos que poderá transformar a forma como os antibióticos são desenvolvidos, testados e prescritos.
 
O novo teste foi desenvolvido sob a liderança de Michael Mahan, docente no Departamento de Biologia Molecular, Celular e do Desenvolvimento da Universidade da Califórnia – Santa Barbara, EUA, que considera que o atual teste de sensibilidade aos antimicrobianos, uniformizado pela Organização mundial de Saúde em 1961 e usado mundialmente, poderá apresentar falhas.
 
O teste de sensibilidade aos antimicrobianos atual é efetuado em placas de Petri com um meio de cultura sólido (meio Mueller-Hinton agar) que não consegue reproduzir a maioria dos aspetos de uma infeção natural. 
 
Para o teste desenvolvido neste estudo, os investigadores basearam-se num modelo de ratinho para demonstrar que uma variedade de antibióticos atua de forma diferente contra vários agentes patogénicos no organismo dos mamíferos. 
 
A equipa aperfeiçoou também o teste convencional de forma a que o mesmo possa prognosticar o efeito dos antibióticos sobre as infeções, com a junção de bicarbonato de sódio. Este químico é abundante no organismo, ajudando a manter níveis precisos de pH no sangue. O composto promove uma melhor reprodução do organismo nas placas de Petri, aumentando assim a precisão do teste.
 
“A mensagem é simples: os médicos podem estar a basear-se no teste errado para identificar antibióticos para tratar as infeções”, considerou o autor principal do estudo. 
 
“Ao desenvolver um teste que reproduz as condições do organismo, identificámos antibióticos que efetivamente tratam infeções causadas por diversas bactérias, incluindo a MRSA, que causa infeções fatais por Staphylococcus [aureus]. Esses fármacos têm sido ignorados porque falharam nos testes convencionais, apesar de serem baratos, não tóxicos e vendidos nas farmácias locais”, continuou.
 
Michael Mahan considera que as empresas farmacêuticas podem beneficiar com o uso do teste reformulado para voltar a testar os compostos purificados que falharam no teste convencional.
“Pode haver um valioso tesouro de compostos na prateleira, mas que efetivamente poderão ser bastante eficazes contra estirpes resistentes aos antibióticos”, comentou.
 
“A situação não é tão negra como pensávamos”, rematou, acrescentando que podemos usar os fármacos existentes de forma diferente.

Partilhar esta notícia
Referência
Estudo publicado na revista “EBioMedicine”

Notícias Relacionadas