Angola tem apenas 70 cardiologistas para mais de vinte milhões de habitantesNotícias de Saúde

Sexta, 03 de Outubro de 2014 | 220 Visualizações

Fonte de imagem: unimed

Angola conta com apenas 70 cardiologistas para uma população estimada superior a vinte milhões de pessoas, de acordo com números avançados hoje à Lusa pelo presidente da Sociedade Angolana de Doenças Cardiovasculares (SADC), Mário Fernandes.
 
Apesar do número reduzido de médicos especializados em cardiologia e do aumento dos problemas cardíacos na população, relacionados com a obesidade ou a falta de exercício físico, aquele especialista sublinha a evolução do setor nos últimos anos, com a formação a ser financiada, essencialmente, pelo Estado angolano.
 
"Ainda é um número exíguo, mas tudo leva o seu tempo. Estamos hoje a falar de aproximadamente 70 a 80 cardiologistas, entre nacionais e estrangeiros que vivem permanentemente em Angola, mas há quinze anos eram quatro ou cinco", afirmou Mário Fernandes.
 
O responsável, médico cardiologista, falava à Lusa durante o II Congresso Angolano de Cardiologia e Hipertensão, que decorre em Luanda até sábado e que inclui um encontro das sociedades lusófonas daquela especialidade médica.
 
"Multiplicar o número de especialistas [cardiologistas] por dez numa década foi um esforço considerável. A ambição é, noutra década, atingir os 200 a 250 profissionais formados na área. Até porque hoje o número de médicos formados nas nossas universidades já é muito superior ao que tínhamos anteriormente", acrescentou Mário Fernandes.
 
Para o presidente da SADC, a aproximação dos números oficiais à realidade africana aponta para que "pelo menos 10 por cento da população adulta" que vive nas grandes cidades angolanas sofra de hipertensão arterial. Deste total, entre 2 a 5% dos casos termina na morte, "relacionada diretamente com a hipertensão arterial".
 
"Temos uma alta incidência de incidentes vasculares cerebrais, de insuficiência renal e cardíaca, relacionada infelizmente com a hipertensão arterial, desconhecida ou mal controlada", apontou.
 
Além do reforço do número de especialistas, Mário Fernandes defende uma "prevenção em larga de escala", face à mudança dos estilos de vida do país. Por esse motivo, este congresso decorre sob o lema "Hipertensão Arterial Controlada: Angolanos Saudáveis".
 
"Vemos cada vez mais hábitos higieno-dietéticos, relacionados com um melhor acesso a alimentação e qualidade de vida, serem pervertidos pela introdução da comida rápida, falta de exercício, aumento dos casos de obesidade. É o outro lado da moeda que queremos evitar, que haja uma explosão de doenças cardiovasculares na nossa população, com um impacto muito grande ao nível da economia da Saúde", rematou.
PVJ // APN

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Lusa
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