Anestesia: relaxantes musculares podem causar complicações respiratóriasNotícias de Saúde

Quinta, 20 de Setembro de 2018 | 151 Visualizações

Fonte de imagem: Healthline

Um estudo alargado confirmou a existência de uma associação entre o uso de relaxantes musculares (como complemento ao de fármacos anestésicos) e a incidência de complicações respiratórias.
 
Os relaxantes musculares são necessários em certas operações de grande porte, juntamente com os fármacos anestésicos. Estes últimos fármacos tornam o paciente inconsciente e evitam a dor durante uma intervenção cirúrgica, mas não paralisam os músculos. 
 
Sendo assim, torna-se necessário também usar relaxantes musculares, conhecidos como agentes bloqueadores neuromusculares, nas operações, particularmente nas efetuadas ao peito ou abdómen. Estes fármacos são ainda usados para proteger as cordas vocais quando é necessário colocar um tubo nas vias respiratórias no caso de o paciente receber ventilação artificial.
 
O estudo europeu de natureza observacional, é conhecido como POPULAR, e foi liderado pela Universidade Técnica de Munique, Alemanha. Para o estudo, os investigadores de várias instituições académicas recolheram dados de 22.803 pacientes, de 211 hospitais em 28 países da Europa.
 
Os primeiros resultados da investigação confirmam que o uso de bloqueadores neuromusculares durante a anestesia geral está associado a um risco significativamente mais elevado de várias complicações respiratórias após a intervenção cirúrgica. 
 
As complicações respiratórias mais comuns identificadas foram uma menor capacidade de os pulmões absorverem oxigénio transitoriamente (5,2%) e infeções pulmonares e no trato respiratório (2,5%). 
 
Foi observado que cerca de 75% dos pacientes operados tinham recebido agentes bloqueadores neuromusculares e que apresentavam um risco significativamente mais elevado de desenvolverem uma complicação respiratória (mais 4,4%). Foi ainda observado que as técnicas atualmente usadas para evitar resíduos daqueles fármacos no organismo dos pacientes não fazem decrescer o risco das complicações pulmonares.
 
Manfred Blobner, anestesiologista naquela universidade considera que apesar dos resultados do estudo, os bloqueadores neuromusculares são necessários nas cirurgias. No entanto, podem ser evitados em cirurgias menores ou usar-se máscaras laríngeas para a anestesia em vez de tubos na traqueia que passem pelas cordas vocais. 

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Referência
Estudo publicado na revista “The Lancet Respiratory Medicine”

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