Amissulprida reduz náuseas e vómitos pós-operatóriosNotícias de Saúde

Segunda, 19 de Março de 2018 | 250 Visualizações

Fonte de imagem: Birthorderplus

Um fármaco já conhecido revelou-se bastante promissor na prevenção das náuseas e vómitos pós-operatórios.

Num estudo conduzido por investigadores liderados por Peter Kranke, docente de anestesiologia da Universidade de Würzburg, Alemanha, o fármaco, usado em combinação com o tratamento típico anti náusea no período intraoperatório, demonstrou uma redução estatisticamente significativa na ocorrência daqueles problemas nos pacientes de alto risco, nas 24 horas a seguir à cirurgia.

“As náuseas e vómitos pós-operatórios contribuem para o desconforto do paciente, podem atrasar a recuperação após a cirurgia e aumentar os custos hospitalares”, avançou o líder do estudo.

As náuseas e vómitos pós-cirúrgicos (PONV na sua sigla em inglês) podem atingir entre 60 a 80% dos pacientes se perfazerem pelo menos três dos fatores de risco seguintes: ser do sexo feminino, ter tido náuseas ou vómitos anteriormente ou enjoar em viagem, ser não fumador e possuir um prognóstico de toma de opiáceos para a dor após a intervenção cirúrgica.

Para o estudo, a equipa recrutou 1.147 pacientes adultos submetidos a uma intervenção cirúrgica eletiva com anestesia geral e que perfaziam três ou quatro dos fatores de risco para terem PONV.

Os pacientes foram divididos em dois grupos, de forma aleatória, tendo um grupo recebido cinco miligramas de amissulprida por via intravenosa e o outro grupo um placebo, além da medicação para as náuseas normal, no início da administração da anestesia geral.

Foi verificado que 58% dos pacientes que receberam a amissulprida evidenciaram uma resposta completa, definida como não vomitar ou necessitar de medicação de ação rápida para aliviar os vómitos nas 24 horas após a cirurgia, em comparação com 47% dos que receberam o placebo.

De uma forma geral, no grupo da amissulprida verificou-se índices significativamente inferiores relativamente aos vómitos (14% contra 20% no grupo do placebo), náuseas (37% contra 48% no grupo do placebo) e na necessidade de medicação de ação rápida para aliviar os vómitos (41% contra 49% no grupo do placebo).

Finalmente, este fármaco revelou assim eficácia, à semelhança de outros bloqueadores da dopamina, mas sem os efeitos adversos daqueles fármacos, como arritmias cardíacas.

 

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Referência
Estudo publicado na revista “Anesthesiology”

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