Alzheimer pode ser prognosticada através de mutação de geneNotícias de Saúde

Terça, 09 de Maio de 2017 | 39 Visualizações

Fonte de imagem: PsyPost

Uma equipa de investigadores conduziu um estudo que demonstrou que uma mutação genética específica faz acelerar a perda de memória e das competências de raciocínio nas pessoas em risco de desenvolverem a doença de Alzheimer.
 
O estudo liderado por Ozioma Okonkwo, da Escola de Medicina da Universidade de Wisconsin, EUA, apurou que a mutação no alelo Val66Met do gene BDNF ou alelo Met desempenha um papel no desenvolvimento da doença.
 
O gene BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro) é uma proteína produzida pelo gene com o mesmo nome. Pertence a um grupo de proteínas conhecidas como neurotrofinas que ajudam no desenvolvimento, especialização e sobrevivência das células nervosas. Os alelos são partes de genes que trabalham em pares nos cromossomas para determinar os traços de um indivíduo.
 
A equipa decidiu centrar-se no gene BDNF para procurar identificar uma ligação entre este gene e a doença de Alzheimer. Para o estudo, os investigadores seguiram 1.023 indivíduos com uma média de idades de 55 anos, em risco de desenvolverem Alzheimer. No início do estudo os participantes eram saudáveis e foram acompanhados durante um período de 13 anos.
 
Foram recolhidas amostras sanguíneas aos participantes e efetuados testes a mutações genéticas no alelo Met. A equipa avaliou as competências de raciocínio e de memória dos participantes no início do estudo e no decorrer das visitas subsequentes (até cinco visitas).140 participantes foram ainda testados para verificar a presença da proteína beta-amiloide, que se acumula em placas no cérebro dos doentes de Alzheimer.
 
Os investigadores observaram que 32% dos participantes possuíam o alelo Met. Foi ainda apurado que os participantes que apresentavam a mutação no alelo perdiam as competências de memória e raciocínio com mais rapidez dos que os que não evidenciavam aquela mutação. Os participantes com acumulação de placa beta-amiloide e com a mutação sustentavam um índice de declínio ainda mais rápido do que os outros indivíduos.
 
Em testes de aprendizagem e memória verbais, foi verificado que os participantes sem mutação genética melhoravam 0,002 unidade por ano, enquanto os que apresentavam a mutação pioravam 0,021 unidades por ano. 
 
“Quando não existe mutação, é possível que o gene BDNF e a proteína que produz sejam melhores a oferecer proteção, preservando assim as competências de memória e raciocínio”, comentou o autor principal do estudo.
 
“Isto é especialmente interessante porque estudos anteriores demonstraram que o exercício físico pode fazer aumentar os níveis de BDNF. É fundamental que estudos futuros investiguem mais o papel do gene e proteína BDNF sobre a acumulação de beta-amiloide no cérebro”, concluiu Ozioma Okonkwo.

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Referência
Estudo publicado na revista “Neurology”

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