Alzheimer. Dieta saudável é a maior defesa e fumar o maior perigoNotícias de Saúde

Terça, 25 de Agosto de 2015 | 55 Visualizações

Fonte de imagem: huffingtonpost

É a demência mais comum e estima-se que afecte mais de 90 mil portugueses. Análise inédita dá novas pistas para prevenção.

E se bastarem algumas mudanças nos hábitos alimentares e no estilo de vida para prevenir milhares de novos casos de Alzheimer?

Uma equipa de investigadores das universidades de Qingdao, na China, e da Califórnia, nos EUA, está convencida de que este é o caminho a seguir pela saúde pública e decidiu desbravar o manancial de estudos publicados desde os anos 60 sobre os factores que parecem contribuir para a demência mais frequente a nível mundial e que afecta em Portugal mais de 90 mil pessoas. Os investigadores concluem que há nove factores de risco que parecem contribuir para dois terços dos casos. E analisando os vários factores estudados até ao momento revelam que fumar parece ter o efeito mais prejudicial enquanto a alimentação saudável oferece a maior protecção.

O resultado da metanálise foi publicado ontem na revista científica “Journal of Neurology, Neurosurgery & Psychiatry” e surgiu no mesmo dia em que um grupo de investigadores declarou na revista “Lancet” que a melhoria nas condições de vida, educação e prevenção está a permitir travar a epidemia das demências na Europa ocidental, o que sugere que a universidade está na pista certa.

Trabalho inédito Os investigadores escrevem no artigo que há muito se sabe que a doença resulta da genética mas também de factores ambientais. Porém, consideram que tem havido muitos estudos com conclusões inconsistentes e até contraditórias. Além disso, há factores ambientais para os quais a genética contribui, por exemplo a obesidade, o que mostra a complexidade do tema.

Para tentar fazer um ponto de situação e apontar as áreas em que pode ser interessante fazer mais estudos para perceber as frequências e as doses ideais do ponto de vista da prevenção, pesquisaram artigos científicos nas bases de dados PubMed e da Colaboração Cochrane.

Descobriram que desde 1968 foram publicados mais de 16 mil estudos com alguma informação relevante e seleccionaram 323 com dimensão suficiente para entrar na análise. Nestes trabalhos foi possível apurar 93 factores, de doenças a hábitos alimentares, que depois catalogaram como tendo indícios mais ou menos fortes de produzir um efeito positivo ou negativo na doença.

Inimigos Ao todo identificaram 13 factores que parecem contribuir para o desenvolvimento da doença, a par dos mecanismos genéticos que ainda estão em estudo, e sobre os quais pouco há a fazer. Entre os factores negativos identificados, nove poderão estar ligados a dois terços dos casos a nível mundial, como a obesidade, o tabagismo, a ateroesclerose coronária ou a depressão. Os investigadores não dizem que são uma causa directa da doença, mas defendem que esta associação deve ser explorada para perceber até que ponto poderão mudar o curso de uma doença ainda sem cura. Analisando os inimigos individualmente, até à data o que parece ter um efeito mais catastrófico é fumar muito, conceito que abrange quem fuma 55 a 160 maços por ano. Estes fumadores correm um risco de desenvolver Alzheimer 96% superior a quem não fuma. Segue-se como factor prejudicial ter uma tensão arterial mínima (diastólica) baixa – quando é inferior a 70mmHg há um risco acrescido de ter Alzheimer de 87%. Mas aqui a virtude parece estar no meio, já que outros estudos apontam a hipertensão como um factor de risco acrescido. Ainda assim, uma tensão máxima (sistólica) acima de 16 mmHg parece ter um efeito menos nocivo: está associada a um risco acrescido de 5% de sofrer da doença.

Defesas Porque nem tudo são más notícias, a equipa apurou até mais factores que parecem conferir protecção, no total 23. Nem todos são, porém, uma escolha. É o caso de ter um cancro ou tomar estatinas ou medicamentos como aspirina. Mas há indicações que qualquer pessoa pode adoptar, como uma alimentação rica em peixe, ácido fólico ou a ingestão de cafeína. Seguir uma dieta saudável revelou-se mesmo a maior defesa com base nos estudos feitos até à data: os estudos apontam um risco 57% inferior de vir a sofrer de Alzheimer entre quem segue, por exemplo, os cardápios da dieta mediterrânica. Jin-tai Yu, investigador da Universidade da Califórnia e co-autor do estudo, disse ontem ao i que por enquanto não é possível estimar o efeito cumulativo destes factores. Para já, a mudar alguma coisa no estilo de vida, sugere que seja mesmo a dieta.

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