Alteração epigenética pode ajudar a detetar precocemente o cancro da mamaNotícias de Saúde

Quarta, 15 de Novembro de 2017 | 20 Visualizações

Fonte de imagem: Joy105

Um estudo recente apurou que alterar o código epigenético de uma única célula é o suficiente para fazer com que uma célula mamária saudável inicie uma reação em cadeia e se torne anormal.
 
Conduzido por uma equipa de investigadores da Universidade de Londres Queen Mary, Inglaterra, o estudo poderá conduzir à possibilidade de se conseguir diagnósticos de cancro mais precoces, bem como o potencial de se desenvolver novos tratamentos através da edição genética.
 
As alterações epigenéticas constituem uma das características distintivas do cancro. No entanto, até à data não se sabia se essas alterações eram, por si só, o suficiente para tornar as células saudáveis em cancerígenas.
 
Para o estudo, a equipa usou a ferramenta de edição genética CRISPR-Cas9 para efetuar a metilação de diferentes genes em células da mama saudáveis. Como resultado os investigadores observaram que aquelas alterações eram o suficiente para que as células se dividissem de forma rapidamente anormal, que é um estádio inicial da formação tumoral.
 
A equipa apurou igualmente que as alterações epigenéticas são herdadas desde que a célula se divida e, ainda, que as manipulações efetuadas pelos investigadores afetaram permanentemente e negativamente a biologia de uma célula mamária normal de um indivíduo saudável.
 
“É surpreendente que as células de muitos indivíduos saudáveis sejam tão permissivas e aceitem esta alteração genética e que o ‘golpe’ de uma ferramenta de edição genética seja o suficiente para desencadear esta reação em cadeia de herança genética, e estabeleça uma assinatura de expressão genética de células do género cancerígeno”, afirmou Gabriella Ficz, autora principal do estudo. 
 
Os achados poderão ajudar os cientistas a melhor perceber as alterações genéticas mais precoces que podem iniciar processos celulares anormais, bem como a transição entre o estado antes da doença e o cancro.
 
Assim, poderá ser possível desenvolver novos biomarcadores para permitir um diagnóstico mais precoce do cancro.
 
A alteração genética poderá ser também empregue no futuro para desenhar novos tratamentos através de alterações permanentes à biologia celular. Esta poderá constituir uma forma mais viável ou alternativa de avanço na edição genética pois um eventual erro poderá ser menos prejudicial do que editar diretamente a sequência do ADN, sendo que a alteração genética poderá ser mais facilmente reversível se for necessário.

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Referência
Estudo publicado na revista “Nature Communications”

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