A visão continua a desenvolver-se até cerca dos 40 anosNotícias de Saúde

Quinta, 01 de Junho de 2017 | 76 Visualizações

Fonte de imagem: taurangaeyespecialists

Afinal o centro de processamento da visão do cérebro humano, o córtex visual, continua a amadurecer até perto dos 40 anos de idade, descobriu uma equipa de investigadores.
 
O achado efetuado no âmbito de um estudo conduzido pelo departamento de Psicologia, Neurociências e Comportamento da Universidade McMaster, Canadá, vem contrariar a teoria que a visão amadurece e estabiliza durante os primeiros anos de vida.
 
O estudo, liderado por Kathryn Murphy, teve como base a análise de amostras de tecido de autópsias de 30 pessoas, com idades compreendidas entre os 20 dias e os 80 anos.
 
A equipa analisou as proteínas que são responsáveis pelas ações neuronais no córtex visual, na parte anterior do cérebro e descobriu que afinal aquela parte do cérebro atinge a maturidade muito mais tarde, até cerca dos 36 anos, com mais ou menos quatro anos e meio de diferença. 
 
A investigadora principal e a equipa ficaram muito surpreendidos com a descoberta pois até à data considerava-se que o córtex atingia o seu estado de maturidade aos 5 ou 6 anos de idade, de acordo com os conhecimentos científicos e clínicos existentes.
 
“Existe uma grande lacuna no nosso conhecimento sobre como funciona o cérebro”, adiantou Kathryn Murphy. “A ideia que temos de as áreas sensoriais desenvolvem na infância e depois ficam estáticas é parte do desafio. Não é correta”, acrescentou. 
 
Segundo a equipa, o tratamento de problemas ligados à visão como por exemplo, a ambliopia, mais conhecida como “olho preguiçoso”, é baseada na teoria que só as crianças podem beneficiar de tratamentos de correção pois considera-se que os mesmos são ineficazes em jovens adultos pois já terão passado a idade em que os seus cérebros poderiam dar resposta a esses tratamentos.
 
A autora principal do estudo remata que apesar de o estudo efetuado ter incidido apenas sobre o córtex visual, é provável que outras áreas do cérebro possam também ser muito mais plásticas do que se pensava.

 

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Referência
Estudo publicado na “Journal of Neuroscience”

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