A proteína que ajuda as bactérias a transferirem a resistência antimicrobianaNotícias de Saúde

Sábado, 17 de Março de 2018 | 14 Visualizações

Fonte de imagem: Phys

As bactérias são capazes de transferir entre si os genes que lhes conferem resistência aos antibióticos. Uma equipa de investigadores descobriu como.

Como se não bastasse as bactérias desenvolverem resistência aos antibióticos, ainda são capazes de transferir essa capacidade a outras bactérias, sejam elas da mesma estirpe ou não. E há uma proteína que ajuda neste processo. Uma equipa de investigadores do Laboratório Europeu de Biologia Molecular (EMBL, na sigla em inglês) conseguiu perceber de que forma é que a proteína cumpre essa função, conforme publicaram esta quinta-feira na revista Cell. Bloquear a ação desta proteína pode impedir que os genes de resistência antimicrobiana passem de umas bactérias para as outras.

Embora a partilha de genes de resistência aos antibióticos entre bactérias não seja uma novidade, os processos moleculares que o permitem não são bem conhecidos. Sabia-se que as bactérias usavam os transposões, elementos saltitantes de ADN que transportam esses genes. Agora, os investigadores perceberam que a proteína transposase envolvida no processo força a porção de ADN a desenrolar-se para conseguir mais facilmente cortar a parte que lhe interessa.

A distorção do ADN também ajuda a inserir a porção resistente ao antibiótico em vários locais numa grande variedade de bactérias, expandindo a capacidade de transferência de genes”, explicou ao Observador Orsolya Barabas, coordenadora do grupo de Biologia Estrutural e Computacional do EMBL.

Saber como é que os transposões passam de uma bactéria para a outra e o papel que a proteína tem neste processo, vai permitir aos investigadores procurar moléculas que bloqueiem a proteína ou estes movimentos. Uma possibilidade é impedir que a proteína adquira a estrutura tridimensional que a torna funcional, usando, para isso, um novo peptídeo (um cadeia curta de aminoácidos). Outra possibilidade é usar uma molécula que imite o ADN e que se ligue ao transposão, impedindo que a transferência de genes ocorra.

“A longo prazo, estas estratégias podem, por exemplo, prevenir a transferência de resistência em pessoas que tenham sido identificadas como portadores de bactérias resistentes a antibióticos, ajudando a controlar a disseminação deste genes de resistência”, disse Orsolya Barabas.

A descoberta da estrutura molecular da proteína é um passo importante para que se possa prevenir esta transferência de genes, mas até que isto chegue à prática clínica há um longo caminho a percorrer. Atualmente, o grupo de Orsolya Barabas está concentrado não só em compreender como é que o mecanismo funciona in vitro, nas condições controladas de um laboratório, mas também como funciona na vida real, num organismo vivo. A investigadora considera que, para isso, é preciso apostar mais na microbiologia e na investigação destes mecanismos.

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Referência
Vera Novais

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