A importância da dieta antes da conceçãoNotícias de Saúde

Sexta, 12 de Junho de 2015 | 14 Visualizações

“Somos o que comemos”, é um velho aforismo. Mas se a nossa dieta influi decisivamente na forma como vivemos, também as opções alimentares da nossa mãe têm uma palavra a dizer. Pelo menos é o que defendem especialistas britânicos, para quem os nutrientes ingeridos no período antes da gravidez têm efeitos visíveis no metabolismo e no estado de saúde ao longo da vida.

Os investigadores da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres vão ainda mais longe e garantem que o que uma mulher come nas semanas anteriores à conceção pode afetar o risco do seu filho contrair algumas doenças, como por exemplo gripes, VIH e até cancro. “Esta fase é crucial”, afirma Andrew Prentice, catedrático naquela instituição e co-autor do estudo, para quem “as implicações potenciais são enormes”, dependendo da dieta adotada.

Por sua vez Matt Silver, um outro especialista envolvido no trabalho, alerta para a importância de uma alimentação equilibrada e cuidada, não só “a partir do momento em que a mulher sabe que está grávida”, mas no período em que está a tentar.

Para determinarem a influência da dieta pré-concecional, os investigadores estudaram 120 mulheres em zonas rurais da Gâmbia, cuja alimentação muda dramaticamente ao longo do ano e conforme as estações. Metade concebeu no pico da época seca e a outra metade no pico das chuvas e logo que as gestações foram confirmadas, os cientistas mediram os nutrientes presentes na corrente sanguínea.

Logo que os bebés nasceram, foi feita uma análise de ADN, centrada nos marcadores genéticos, cuja ativação ou supressão anormais causam modificações metabólicas. Para um determinado gene, designado VTRNA2-1, os marcadores são visíveis nos primeiros dias de vida e encontram-se especialmente ativos nos bebés concebidos na época seca, quando a alimentação é abundante. Nessas circunstâncias, é sabido que existe uma proteção anti-cancerígena. Em contrapartida, os bebés concebidos na época das chuvas têm o gene menos ativos, o que leva o organismo a combater vírus indesejados da forma mais eficaz.

Alguns dos nutrientes envolvidos na ativação genética, são, segundo os cientistas britânicos, a vitamina B2 e o ácido fólico, presentes em ovos, peixe, feijão, grãos, fígado e vegetais de folhas verdes.

No caso concreto de África – e dado que as infeções matam mais gente do que o cancro naquele continente – esta descoberta, relatada num artigo publicado no jornal “Genome Biology”, pode ajudar a explicar por que motivo os bebés gambianos concebidos na época seca tendem a morrer mais precocemente.

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jornal “Genome Biology

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