A febre afinal pode ser benéficaNotícias de Saúde

Quinta, 24 de Maio de 2018 | 13 Visualizações

Fonte de imagem: Heart Mind & Seoul

Quanto mais elevada é a temperatura do corpo, mais rapidamente o nosso sistema de defesa atua contra tumores, infeções e lesões, atestou um estudo.
 
Conduzido por uma equipa de biólogos e especialistas em matemática das Universidades de Warwick e Manchester, Inglaterra, o estudo demonstrou que uma pequena subida de temperatura, como ter febre, faz acelerar o relógio celular em que as proteínas ativam e desativam genes para responder a infeções.
 
Este achado poderá conduzir a fármacos mais eficazes e de mais rápida atuação que atuem sobre uma proteína chave envolvida no processo.
 
Os biólogos descobriram que sinais inflamatórios ativam as proteínas conhecidas como fator nuclear kappa B (NF-κB) para o relógio começar a contar, em que as proteínas NF-κB movimentam-se para dentro e fora do núcleo das células, ligando e desligando os genes.
 
Isto permite que as células respondam aos tumores, ferimentos ou infeções. O descontrolo das NF-κB está associado a doenças inflamatórias como a psoríase, artrite reumatoide e doença de Crohn.
 
O relógio das NF-κB desacelera a uma temperatura corporal de 34 graus. Nas temperaturas mais acima dos 37 graus, o relógio das NF-κB acelera.
 
Os matemáticos da equipa calcularam a aceleração do ritmo do relógio com o aumento de temperatura. Os investigadores previram que uma proteína conhecida como A20, que é essencial para evitar doenças inflamatórias, poderá estar criticamente envolvida neste processo. Ao removerem a A20 das células, observaram que o relógio das NF-kB tinha perdido a sensibilidade a aumentos de temperatura.
 
David Rand, matemático da Universidade de Warwick explicou que na vida normal o relógio biológico de 24 horas controla pequenas alterações na temperatura corporal, de 1,5 graus. “A temperatura corporal mais baixa durante o sono poderá proporcionar uma explicação fascinante para o facto de o trabalho de turnos, ‘jet lag’ e os problemas de sono causarem doenças inflamatórias”, avançou.
 
Este estudo demonstra que a temperatura altera a inflamação nas células e tecidos de uma forma biologicamente organizada e sugerem que novos fármacos poderão alterar de forma mais precisa a resposta inflamatória através da atuação sobre a proteína A20. 
 
Mike White, biólogo da Universidade de Manchester considera que este estudo oferece uma possível explicação para a forma como a temperatura ambiental e corporal afeta a nossa saúde: “sabemos desde há algum tempo que as epidemias de gripe e constipações tendem a ser piores no inverno quando as temperaturas são mais baixas. (…) Estas alterações poderão agora ser explicadas pelas respostas imunitárias que se alteram com temperaturas diferentes”. 
 

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Referência
Estudo publicado na revista “PNAS”

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