A eliminação da hepatite C em Portugal e na Europa é possível até 2030Notícias de Saúde

Quinta, 12 de Outubro de 2017 | 11 Visualizações

Bruxelas, 12 de Outubro, 2017 – Representantes do Governo Português, políticos, especialistas, médicos e associações de doentes e grupos de ativistas na área da hepatite C, reuniram-se hoje em Bruxelas para anunciar a sua intenção de trabalhar em conjunto com o objetivo de eliminar o vírus da Hepatite C em Portugal até 2030, ao assinarem o “Manifesto pela Eliminação da Hepatite C”.

O evento sucede a primeira Cimeira Política Europeia dedicada à eliminação do vírus da Hepatite C na Europa que aconteceu em Fevereiro de 2016, em Bruxelas, e durante a qual foi apresentado o Manifesto pela Eliminação da Hepatite C, que delineava questões políticas para a eliminação da hepatite C na Europa até 2030.

Carlos Zorrinho, deputado do Parlamento Europeu, anfitrião do evento, comentou: “Saúdo o facto da Cimeira sobre a eliminação da Hepatite C ser a primeira a dar concretização à Estratégia Europeia para erradicar a Hepatite C até 2030, isso é possível não apenas pela consciência da importância do problema em Portugal mas também porque os serviços de saúde e as associações de pacientes portugueses têm criado um vibrante dialogo procurando encontrar as melhores soluções”

Fernando Araújo, Secretário de Estado Adjunto e da Saúde de Portugal, sublinhou que "Portugal teve extraordinários progressos na abordagem à Hepatite C nos últimos anos. O Governo Português está profundamente empenhado em acabar com a epidemia da Hepatite C até 2030 e acreditamos que iremos atingir esse objetivo antes dessa data.

De forma a faze-lo, a primeira Estratégia Nacional para as Hepatites Virais em Portugal foi lançada este ano. Baseia-se na universalidade (acesso ao tratamento a todas as pessoas com hepatite C, elegíveis para tratamento), na equidade (harmonização do tratamento a nível nacional) e na qualidade (o tratamento mais adequado segundo a evidência cientifica), mas também focado na prevenção, informação, conhecimento e rastreios dirigidos.

Adicionalmente, pela primeira vez, foi dada atenção especial aos grupos vulneráveis: reclusos, trabalhadores do sexo, sem-abrigo e emigrantes, que têm tido dificuldade no acesso ao tratamento. De agora em diante, esta realidade irá mudar: juntos conseguimos atingir os objetivos de 2030!"

Ricardo Baptista-Leite, membro do Parlamento de Portugal, afirmou: “No seguimento da liderança que Portugal assumiu em termos de acesso sustentável ao tratamento universal em 2015, existe agora a necessidade de se assumir a eliminação da hepatite C como um objetivo de saúde pública o que exige que se tenha uma liderança determinada, um reforço do papel dos cuidados de saúde primários e maior investimento em prevenção, rastreios, diagnóstico e ligação aos cuidados de saúde. Existe uma necessidade particular de desenvolver programas dirigidos, juntamente com as associações não-governamentais da sociedade civil, particularmente para populações específicas como reclusos, pessoas que injetam drogas e migrantes.”

Luís Mendão, Presidente do GAT- Grupo de Ativistas em Tratamentos, Director do EATG - European AIDS Treatment Group e da Coalition Plus, comentou, "Portugal deu passos gigantes na sua resposta à hepatite C desde fevereiro de 2015. Os restantes desafios para garantir a eliminação da hepatite C até 2030 estão relacionados com melhor conhecimento, prevenção e rastreio baseados no conhecimento, nos direitos humanos e no acesso universal ao tratamento a custo comportável (não deixando para trás as pessoas que injetam drogas e as pessoas nas prisões) – tudo isto é fazível com liderança política. As autoridades Portuguesas podem, nesse caso, contar com o apoio da sociedade civil, das comunidades chave e das pessoas que vivem com a doença e todos os stakeholders devem estar prontos para trabalharem em conjuntos na obtenção deste objetivo comum.”

“Depois de 25 anos de pesquisa, os investigadores desenvolveram os meios para se curar a hepatite C com eficácia, tornando a eliminação da hepatite C na Europa na próxima década uma possibilidade genuína. Mas a ação política ao nível nacional tem de tornar isto possível, especialmente num País como Portugal onde a infeção por hepatite C é um enorme desafio de saúde pública,”, afirma o Prof Angelos Hatzakis, Presidente da Associação Hepatitis B and C Public Policy. “O nosso Manifesto pela Eliminação serve de plataforma de reunião para políticos e ativistas Europeus e nacionais. Se agirmos agora, a Europa estará livre da hepatite C em 2030,” continuou o Prof Hatzakis.

Sobre a Hepatite C na Europa e Portugal

  • VHC é um grave problema global de saúde pública com taxas significativas de morbilidade e mortalidade. Cerca de 180 milhões de pessoas estão infetadas mundialmente. Entre 350,000-500,000 pessoas morrem anualmnete de causas relacionadas com VHC.
  • Na Europa, 15 milhões de Europeus estão infetados e morrem mais pessoas com o VHC do que com HIV.  
  • Apesar do controlo efetivo Europeu da epidemia, o VHC continua a propagar-se de forma não detetável, como uma “pandemia silenciosa” na Europa, pois as pessoas raramente têm sintomas durante os primeiros 20-30 anos. Adicionalmente ao sofrimento dos doentes, o custo económico da doença é significativo devido aos custos diretos da saúde e indiretos com a perda de produtividade de trabalho.
  • Em Portugal, a partir de Julho de 2017, mais de 17,591 pessoas foram diagnosticadas com VHC crónica e incluídos no registo nacional de VHC.  Todos os seus tratamentos foram autorizados e, desses, 11.792 pessoas com VHC já começaram o tratamento. Por fim, 6.639 pessoas com VHC estão clinicamente curados com taxa de resposta de 96,5% SVR.1

Como apresentado na Conferência do EASL, o programa de tratamento, desde fevereiro de 2017, assegurou que fossem evitados 3.477 mortes prematuras por doença do fígado, 339 transplantes do fígado, 1.951 cancros do fígado e 5.417 casos de cirrose. 62.869 anos de vida foram ganhos e 271.4 milhões de Euros em custos complicações relacionadas com o tratamento da hepatite c foram poupados. Por tudo isto, tratar pessoas com a infeção pelo vírus VHC hoje vai não só evitar dor e sofrimento desnecessários, mas também ser mais custo efetivo e de poupança para o futuro do Serviço Nacional de Saúde Português.

Sobre a Eliminação

  • A eliminação de uma doença destina-se a reduzir a zero a incidência de uma doença específica em uma área geográfica definida como resultado de esforços deliberados.
  • A eliminação do VHC foi tornada possível por avanços terapêuticos recentes, que tornaram o vírus curável na maioria dos casos - as taxas de cura evoluíram de 6% em 1991 (primeiro tratamento com interferão aprovado para VHC) para mais de 90% em 2014 (antivirais de ação direta introduzidos).
  • Abordagens e estratégias holísticas para melhorar o conhecimento geral, aumentar os testes para pessoas em risco e encaminhar as pessoas infetadas a cuidados de saúde específicos precisam de ser desenvolvidos.

Sobre o “Manifesto pela Eliminação da Hepatite C”

Signatários

Os signatários do Manifesto pela Eliminação da Hepatite C comprometem-se a:

- Tornar a hepatite C e sua eliminação na Europa uma prioridade clara de saúde pública a ser perseguida a todos os níveis

- Assegurar que doentes, grupos da sociedade civil e outras partes interessadas sejam diretamente envolvidas no desenvolvimento e implementação de estratégias de eliminação de hepatite C

- Dar especial atenção à ligação entre a hepatite C e a marginalização social

- Introduzir uma Semana Europeia de Consciência sobre a Hepatite

O Manifesto pela Eliminação é apoiado pelas seguintes organizações:

  • European Liver Patients Association (ELPA)
  • European Association for the Study of the Liver (EASL)
  • Viral Hepatitis Prevention Board (VHPB)
  • The Correlation Network
  • The International Center for Migration Health and Development (ICMHD)
  • The World Hepatitis Alliance (WHA)
  • Hepatitis B and C Public Policy Association

Os autores principais do “Manifesto pela Eliminação da Hepatite C” são:

  • Prof Jeffrey V. Lazarus, University of Copenhagen (Denmark)
  • Prof Mark Thursz, Imperial College, London (UK)
  • Prof Pierre Van Damme, Viral Hepatitis Prevention Board, Vaccine and Infectious Disease Institute, Antwerp (Belgium)
  • Prof Angelos Hatzakis, Athens University Medical School (Greece)

Sobre a Associação Hepatitis B & C Public Policy

A Associação de Políticas Públicas da Hepatite B & C foi fundada em 2009 por um grupo de cientistas europeus de relevo, especialistas em saúde pública e ativistas de pessoas com a doença. Pretendemos impulsionar e facilitar a formulação de políticas públicas a nível nacional e internacional para a comunicação, prevenção e gestão das hepatites B e C. A abordagem única da Associação no sentido deste objetivo é reunir-se e trabalhar em parceria com os principais interessados ​​nestas doenças, incluindo reguladores, doentes, médicos, comunidade de saúde pública e da sociedade civil e o setor privado. A primeira Cimeira de Política do VHC dedicada à eliminação da hepatite C na Europa foi organizada por esta associação e os seus parceiros, em fevereiro de 2016 em Bruxelas. Na abertura da Cimeira esteve o Comissário de Saúde da UE Andriukaitis, deputados europeus e políticos nacionais.

Para mais informações das atividades da Associação, por favor visite www.hepbcppa.org

 

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Autor
Banco da Saúde
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